Somente hoje iniciei o tratamento, devido à burocracia do convênio.
Cheguei ao hospital um pouco antes das 10h00 e fui super bem recebida. Não sei se é cedo para dizer, mas creio que o sofrimento psíquico de quem possui uma doença mental é tamanho que as pessoas então acabam se unindo e se solidarizando. Encontrei muito carinho e gentileza.
Havia duas opções de atividade pela manhã: assistir a um documentário, e participar de uma discussão sobre o tema em seguida, ou fazer uma caminhada. Optei por caminhar, mas na quinta-feira que vem vou ficar para o filme. Quero experimentar o máximo de atividades e ver qual delas irá trazer maior benefício.
Depois da caminhada, aguardamos o almoço, que é servido das 12h15 às 13h00. As refeições são trazidas por um restaurante terceirizado, não são preparadas no local. Ficamos todos em uma fila e somos servidos pelas funcionárias. Enquanto aguardava, fiquei escutando a conversa de um grupo de moças, duas delas recém chegadas, como eu; a veterana, portadora de TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo, perguntava a elas qual doença as havia levado à internação. Uma delas tinha síndrome do pânico e ansiedade; a outra, borderline. Ao indagarem a esta última o que era borderline, ela respondeu, simplesmente "Basicamente, sou uma pessoa insuportável.". É que esse transtorno é caracterizado pela instabilidade emotiva e nos relacionamentos.
Após ser servida, procurei um lugar para me sentar e escolhi uma mesa em que já havia várias pessoas; assim, teria a oportunidade de conhecê-las. Foi muito interessante, ouvi várias histórias, uma muito triste, que contarei em outra ocasião, mas outras engraçadas. Quando contei que estava internada por depressão, eles me disseram "Fique tranquila. Aqui, todo mundo se acolhe. E você vai rir muito com a gente, você vai ver."
Das 13h00 às 14h00 é o horário de descanso; aproveitei para ler um pouco. Em seguida, as atividades terapêuticas: musicoterapia ou TO - Terapia Ocupacional (tema de hoje: confeccionar a decoração para a festa de Halloween). Em dúvida, pedi permissão para fazer um pouco de cada. Gostei muito da TO porque manteve minha mente concentrada, e também porque a terapeuta veio conversar comigo, saber mais de minha história. Foi um momento para desabafar, chorar e ouvir bons conselhos. A profissional demonstrava amar o que fazia, e me tratou de uma forma super solidária e carinhosa.
Às 16h00, todos já ficam prontos para sair, e precisamente às 16h15 a técnica de enfermagem abre o portão. Todos se despedem e cada um vai para o seu lado.
OBSERVAÇÕES: Notei que alguns pacientes não participam de nada... Ficam fumando, ou sentados simplesmente, sem tomar parte em qualquer das atividades. Fiquei me perguntando se não caberia ao hospital estimulá-los a participar, mas não tenho conhecimento suficiente para entender cada um... Talvez estejam em uma situação em que não possa haver qualquer tipo de pressão. Não sei...
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