segunda-feira, 18 de novembro de 2019

18/11/2019 - Dia 20

Depois de quase duas semanas de ausência, voltei ao HD. Dia 5, fui ao oftalmo investigar uma mancha que estava prejudicando minha visão do olho direito, e ele descobriu que era descolamento de retina. Precisei operar com urgência e ficar em repouso, e por isso só retornei à clínica hoje.

Dia normal, histórias sempre comoventes. Uma colega foi convidada pela irmã para irem fazer compras no fim de semana, e ela foi. Entretanto, as ruas estavam muito cheias, ela começou a ter uma crise de pânico, muito medo das pessoas na rua, e pediu à irmã que fossem embora. O pedido foi atendido, mas de má vontade; a irmã não compreendeu que se tratava de um momento em que a razão deixa de existir, é a doença se manifestando, nada do que se diga pode abrandar o sofrimento. Nossa colega sofreu com essa falta de empatia, ficou muito triste, e nem as desculpas recebidas no final do dia a fizeram sentir-se melhor.

Uma outra colega nos contou uma coisa boa: havia participado de um retiro espiritual durante o fim de semana, e os dias de reflexão lhe trouxeram revelações importantes e emocionantes. Ela saiu de lá uma nova mulher e disse que se sente muito, muito bem. E todos nós também ficamos felizes por ela, primeiro pela amizade, e depois porque a vitória de cada um é a vitória de todos lá no HD; traz esperança, traz alento.

Havia três novos colegas, que entraram semana passada e hoje. É estranho, pois quando alguém novo chega, a gente observa a pessoa e fica se perguntando qual será o problema, a doença dela. A gente sempre acha que parece que o paciente em questão não tem nada. Claro, sempre nos enganamos; ninguém fica internado à toa. Mas também, cada dia mais, constatamos a imprecisão do ditado "as aparências enganam"... Não, elas não enganam! Elas simplesmente não dizem nada sobre ninguém. Absolutamente nada. E vamos aprendendo aos poucos a não julgar ninguém.

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