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quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

27/12/2019 - Dia 41

Hoje, no Fechamento, tive momentos de carinho. O assistente social disse aos participantes que era meu último dia lá. Senti que meus colegas ficaram genuinamente felizes com isso, e me desejaram muitas coisas boas, assim como eu também desejei a eles.

À tarde, fomos à padaria, como é de tradição na última sexta do mês. Antes, as TOs me deixaram continuar meu cachecol. Porém, quando viram que não haveria tempo hábil para que eu terminasse, decidiram deixar que eu levasse o tear para casa, para concluir o projeto; na próxima consulta que terei com o psiquiatra, no ambulatório agora, devolverei o tear.
Foi tudo bem na padaria, conversei bastante. Ao retornarmos ao HD, havia chegado o momento da despedida. É claro que chorei ao me despedir de meus amigos e das terapeutas, que tanto me ajudaram, e das copeiras, auxiliares de limpeza, técnicas de enfermagem e enfermeira que nos cuidam com tanto carinho e profissionalismo. Até meu médico estava por ali naquele momento, e ganhei um abraço dele também.
Esse tempo no hospital foi muito bom, muito intenso. Nunca imaginei que viveria tanta coisa em tão pouco tempo, e nem o quanto de transformações isso o que vivi me traria.

No HD, reaprendi, mais uma vez, e é sempre bom lembrar, que nunca se deve julgar ninguém, muito menos pela aparência. Lá, conheci pessoas respeitáveis e maduras que haviam tentado o suicídio diversas vezes; outras, inteligentes e aparentemente bem resolvidas,  que se cortavam para ter a atenção dos amigos e família, e pelo prazer de ver o sangue escorrendo. Pessoas tranquilas, alegres e falantes, mas que entravam em uma crise de pânico extremo ao se depararem com a palavra ou alguma história alheia sobre a morte. Jovens que se vestiam com roupas alegres e descoladas, planejando a festa de aniversário em um dia e, no outro, aparecendo no hospital, pálidos, fracos após uma noite na UTI, e cheios de pontos e curativos para cobrir as curar e cobrir as marcas que eles próprios haviam se infligido em um momento de desespero. Conheci pessoas em idade um pouco avançada, outras de meia idade, jovens adultos e adultos muito jovens, recém saídos da adolescência, quase crianças. Conheci avós e avôs. Conheci pais de um filho, e um pai de onze filhos. Conheci muitas mulheres que lutam para continuar a criar seus filhos, e outras que sonham em se curar para poderem se tornar mães. Conheci uma mãe tão nova, que está crescendo junto com a filha, e outra que batalha diariamente para superar a perda de um filho crescido, adulto, piloto, de cuja morte ela soube pelo noticiário da TV. Conheci pessoas portadoras de demência, esquizofrenia, depressão, transtornos bipolar, borderline, obsessivo compulsivo, de dupla personalidade. Conheci ex-usuários de entorpecentes, mas eternamente dependentes químicos, cujos cérebros as drogas lesaram para sempre. Pessoas que sofreram acidentes gravíssimos e que nunca mais serão como eram, nunca mais andarão como andavam nem escreverão como escreviam. Conheci pessoas que tomaram tantos, tão fortes e tão diversos medicamentos por tantos anos, que já não conseguem falar com desenvoltura, e que, fora de contexto poderiam ser confundidos com ébrios; essas mesmas pessoas, mesmo as mais jovens, já perderam o brilho em seus olhares perdidos. Difícil vislumbrar alguma esperança neles, mas ainda deve existir alguma, bem lá no fundo, ou pelo menos é isso o que desejo de todo meu coração.
Convivi com pessoas que nunca tiveram ou terão condições de trabalhar na vida, e também com desempregados, autônomos, aposentados, estudantes, vestibulandos e interditados. Convivi com diversos bancários e também com vendedores e supervisores de vendas, auxiliares de limpeza, caixas de lanchonete, recepcionistas e secretárias de hospital, técnicas de enfermagem, programadores, estudantes, guardas de trânsito, escritores, auxiliares judiciários, esteticistas, maquiadores, desenvolvedores de videogames, professores, cabeleireiros, farmacêuticos, arquitetos, músicos, técnicos em conserto de elevadores. Mas, acima de tudo, pessoas, com quem, de outra forma, eu jamais teria tido a oportunidade de conviver de modo tão profundo. E quanta coisa eu teria deixado de aprender e sentir...

Quando, meses atrás, pedi a meu antigo psiquiatra que me encaminhasse para a semi-internação, pois essa era a saída mais imediata que eu via naquele momento, ele me disse: "Bem, posso até fazer a carta de encaminhamento, mas não vejo como o hospital dia poderá lhe ajudar. Lá as atividades são muito simples, trabalhos manuais... Não sei se isso irá contribuir muito para sua melhora, não." Pois é, doutor... O senhor só não contava com as pessoas... Com a solidariedade, rede de apoio, ouvidos atentos e interessados, palavras de carinho e incentivo. Com o abraço, com o olhar...
Com o amor. O amor que cura e dá esperança. O amor que resgata e salva. Que compreende mas cala quando não é para falar, e fala quando não é para calar. O amor, desinteressado, que quanto mais a gente dá, mais ainda recebe. O amor, abstrato só no conceito, pois nada pode ser tão forte e tão palpável. Agradeço pelo HD. Pelos amigos. Pela vida. Pelo AMOR.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

26/12/2019 - Dia 40

Hoje foi um dia estranho, hospital quase vazio... Peguei um filme começado, cujo nome nem fiquei sabendo. Depois cada um falou sobre como havia sido seu Natal. Vários tiveram um dia triste, com lágrimas e angústia; outros disseram que havia sido ok, ou melhor do que haviam esperado. Mesmo que achemos que estamos prontos para encarar a data, o Natal é um dia que traz muitas emoções e nos surpreendemos quando essas vem à tona, com força total.

Não tive apetite para almoçar muito bem. No intervalo fiquei conversando com um amigo, a maior parte do tempo sobre amenidades, e a hora passou bem rápido. As enfermeiras, após o intervalo, me entregaram a carta de alta.

As TOs se juntaram com o professor de música. A atividade era continuar cantando a letra após o volume da canção ser diminuído. Eu ia continuar meu cachecol, mas acabei ganhando uma sessão de terapia particular, ao ficar mais de uma hora na sala do atelier conversando com minha TO. Foi bom, desabafei muitas coisas, ela me ajudou bastante.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

18/12/2019 - Dia 37

Hoje de manhã, me atrasei. O carro ficou sem gasolina, precisei desviar do caminho para passar no posto e depois peguei muito trânsito. Quando cheguei ao hospital, estava acontecendo um amigo secreto ladrão; os membros do grupo de teatro haviam combinado de trocar presentes (chocolates), mas aí o grupo da terapia se juntou a ele e as pessoas improvisaram presentes. Virou um amigo secreto de chocolates/amigo da onça/amigo ladrão. Como cheguei tarde, não participei. E a atividade foi acontecendo, até que alguém ganhou de presente um carregador portátil de celular; ele prontamente foi "roubado" por uma moça muito nova, que havia tentado o suicídio no dia anterior e passado a noite toda na UTI. Além disso, era aniversário dela. Entretanto, o professor de teatro, ao chegar sua vez, "roubou" o carregador dela. Eu achei muita falta de sensibilidade, mas não podia fazer nada, pois não estava participando. Porém, quando iam encerrar a brincadeira, vimos que havia sobrado um pacote na mesa; então, sugeriram que eu ficasse com ele, e entrasse no amigo ladrão. Quando abri o embrulho, era um botão; fui então até o professor e disse a ele que queria roubar-lhe o carregador portátil, mas ele disse "não, de jeito nenhum. Você tem chance zero de tirar isso de mim. Você não está participando, nem tem sequer um número." Insisti, mas não teve como. Foi um pouco humilhante, e foi a primeira vez nesses meses que passei por uma situação constrangedora no HD.

Um pouco depois, encontrei o professor no pátio, e ele me deu um sorrisinho. Fui falar com ele, e o diálogo foi assim:

- Olha só, você me fez passar a maior vergonha na frente de todo mundo. 

- Mas por quê??

-  Porque eu já tenho um carregador, melhor do que esse aí, mas queria roubá-lo para devolvê-lo à menina de que você o tirou. A moça está mal, toda cortada, e ainda por cima é aniversário dela hoje, e mesmo assim você teve coragem de roubar o presente dela??

- Mas você não estava participando! Não estava no jogo.

- Sim, eu estava. Eu fui colocada no jogo quando viram que havia sobrado um pacote. Por isso, eu passei a participar sim.

E, em seguida, saí. Achei a atitude desse profissional extremamente mesquinha e imatura, e eu não podia deixar de falar o que falei.

Durante a TO, tentei mais uma forma de fazer o boneco de barbante. Não deu certo. Tentei de papel machê, e só amanhã vou ver se vai dar certo.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

17/12/2019 - Dia 36

De manhã, adiantamos a revista HD Mix; geralmente essa atividade é feita na última terça do mês, mas como o Natal e o Ano Novo cairão nesse dia da semana, a realizamos hoje. Escolhi o tema "Viagens", encontrei rapidamente algumas figuras e escrevi "Wanderlust" no rodapé de minha folha, abaixo das colagens. Essa é uma palavra alemã (que se escreve com a inicial maiúscula mesmo, como ocorre com todos os substantivos desse idioma) que não tem tradução direta para o português (como a nossa "saudade" também não tem. Ela tem que ser explicada em duas ou mais palavras.), e que significa "desejo de viajar".

Após o almoço, tive a consulta semanal com meu médico mesmo, que voltou de férias. Foi uma ótima consulta, pois ele me perguntou sobre tudo o que havia feito e sentido em sua ausência, e ficou feliz ao ver minha evolução. Por isso, combinamos minha alta; ele voltou a dizer que não é bom que eu continue por mais tempo no HD agora. Como eu volto a trabalhar na segunda metade de janeiro, precisaria ser liberada mesmo do hospital, e o doutor adiantou um pouco isso, para que eu possa tirar umas férias, ir para a praia, antes de retornar à rotina normal.

Na TO, achei que fosse finalizar o boneco de neve de barbante, mas... as bexigas onde colei os fios murcharam durante o fim de semana, e o barbante murchou também... Bom, comecei de novo. Vamos ver se vai dar tempo de ficar pronto até quinta-feira, dias do almoço de Natal. Aliás, estou pensando também em meu cachecol de tear... Não terminei ainda, porque interrompi o trabalho várias vezes. Vou pedir às terapeutas para tecê-lo em outros dias da semana, de forma que eu consiga concluí-lo!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

13/12/2019 - Dia 35

O Fechamento trouxe momentos de emoção, como sempre; um das pacientes estava se sentindo rejeitada pela própria psicóloga, pois esta não soube lidar com uma determinada situação que minha colega havia lhe apresentado. A rejeição é algo muito forte entre nós, e é fundamental trabalharmos isso.
Outra colega está em um momento de desespero. Ela não é casada, tem três filhos e mora com a mãe, que sustenta a todos; quatorze anos atrás, ela resolveu pedir demissão de um emprego em que ganhava bem, era concursada e tinha estabilidade. Naquele tempo, ela tinha um projeto pessoal em mente, e também desejava ficar mais tempo com os filhos; entretanto, hoje ela lamenta profundamente sua decisão, pois adoeceu, ficou muito tempo sem trabalhar e por isso não se julga qualificada e não consegue arrumar empregos, mesmo os mais simples e com menor salário. Ela teme a morte da mãe e com isso a cessão de sua fonte de sustento, e acredita que destruiu a vida dos filhos. Tentamos ajudá-la, dizendo que os filhos vão ter sua vida e encontrar seu caminho, que a vida deles não está destruída, e que ela precisa se perdoar pela decisão que tomou no passado. Com base nos elementos, pensamentos e ferramentas que ela possuía na época, era aquilo que ela achava que deveria fazer. Talvez, na hora, não tenha adiantado termos falado isso; mas, quem sabe plantamos uma semente? Por isso eu gosto muito da terapia em grupo: os colegas sempre têm algo a nos ensinar, um colo e uma palavra amorosa a oferecer.

De mim, falei hoje que esta semana foi especial, pois voltei a dirigir (fui de carro até a clínica) e a cozinhar. Fazia meses que não assumia essas tarefas (porque não dava para assumir mesmo... A depressão é muitas vezes incapacitante.), fiquei um pouco apreensiva de sair com o carro (eu não sabia o caminho, o Waze enlouqueceu, estava quase sem combustível e temia não achar vaga na rua), mas deu tudo certo e hoje saí de novo, com muito mais segurança.

À tarde, fomos divididos em equipe e brincamos de "Jogo do Milhão". O grupo tinha que responder a perguntas cujo nível de dificuldade ia aumentando à medida que as rodadas iam progredindo. Bom, eu adoro jogar, foi super divertido (e polêmico, pois não concordamos com algumas respostas) e nossa equipe ainda foi a vencedora.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

11/12/2019 - Dia 33

De manhã, lemos fragmentos de textos sobre liberdade e autoconhecimento, escrevemos nossas impressões aplicando-as à nossa própria história de vida e conversamos. Creio que o aspecto mais forte da discussão foi a opinião de várias pessoas sobre autoconhecimento: elas disseram que não se conhecem tão bem assim, pois adoeceram de uma forma que jamais imaginavam, têm crises que não conseguem controlar e não possuem autonomia para tomarem suas próprias decisões. Perderam sua liberdade, não se reconhecem mais.

Uma moça recém chegada participou do grupo. Ela nos contou um pouco de sua história: esteve de hospital em hospital este ano inteiro, e passou sete meses em regime fechado. Está desiludida, disse que perdeu a autonomia sobre sua vida, que a família toma todas as decisões por ela; também está revoltada, pois tomou eletrochoques nesse período. Não acredita em nada, "largou mão" de si mesma; o problema é que ela tem apenas 25 anos.
Quando a gente se depara com uma história assim, tem muita vontade de conversar com a pessoa, mostrar que ainda há esperança, há caminhos. Que a internação, principalmente em um hospital dia, não é um instrumento de punição, mas sim de auxílio, de cuidado. No entanto, às vezes, pessoas muito jovens não acreditam em nada disso... Têm muita firmeza em suas opiniões e são resistentes a pensar de outra forma; por isso, não adianta dizer muita coisa... O que podemos fazer é ser solidários, acolher à medida em que sentimos necessidade e abertura do colega; é o que há de melhor a ser feito.

À tarde, fizemos nosso Amigo Secreto. Sorteamos os nomes na hora, e cada um presentearia seu amigo com a lembrancinha feita nas sessões de TO. Nossa, foi muito legal. Eu sempre me preocupo com Amigos Secretos, porque a pessoa que nos tira precisa nos descrever para que os outros adivinhem quem é, e fico com medo de usarem meu pior atributo físico como descrição de mim. No entanto, isso não aconteceu em absoluto! Todos usaram palavras carinhosas e de estímulo para descreverem seus Amigos. Por exemplo, um paciente disse sobre uma colega: "Minha Amiga Secreta é uma pessoa muito expansiva, está sempre conversando e ajudando os outros. Ela tem uma preocupação muito específica que está lhe prejudicando no momento, mas eu tenho certeza de que logo vai sair dessa, porque a vida tem muito a oferecer a ela." Foi tão lindo, a gente chorou até. E a maioria das descrições foi por essa linha; o clima foi de muita paz, acho que foi o melhor Amigo Secreto do qual já participei. Isso nos faz constatar o quanto o que se vai ganhar não é importante; ouvir as palavras de carinho que foram usadas para nos descrever foi o melhor presente.

10/12/2019 - Dia 32

Na Oficina de Comunicação de hoje fizemos uma atividade diferente. A psicóloga nos apresentou cinco desenhos com situações distintas envolvendo o Papai Noel; tínhamos que escolher uma das imagens e escrever uma história utilizando seus elementos e os aplicando à nossa vida, e à forma como vemos o Natal. Foi interessante ver como cada pessoa encara as festas: alguns gostariam de fechar os olhos e acordar só em 3 de janeiro. Uns estão pesarosos pois não poderão se reunir com a família toda por doença ou algum problema pessoal; outros estão felizes justamente porque não têm quase ninguém com quem se reunir e assim ficarão mais sossegados. Uns estão mais animados neste ano do que nos anteriores; outros não se animaram nem para enfeitar a casa. É... pessoas diferentes, visões diferentes.

A tarde transcorreu sem novidades. Continuei a fazer uma lembrancinha de amigo secreto que já havia começado semana passada; ficou bonitinha, era uma estrela azul. Logo terminei e dei continuidade ao cachecol no tear. Espero conseguir terminá-lo logo.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

05/12/2019 - Dia 31

Hoje resolvi ir caminhar no parque em vez de ficar vendo o filme, que é a outra opção de atividade das quintas. Depois da caminhada, lá no parque mesmo, fizemos duas atividades de socialização. Na primeira, uma pessoa ia conduzindo uma bola com os pés até o cone de marcação, e depois voltava, dava a mão para o companheiro de equipe e os dois iam conduzindo a bola; e assim continuava até que todos os componentes do grupo estivessem de mãos dadas em uma grande corrente. Vencia quem chegasse primeiro à linha de largada.

A segunda atividade era em trios, em que os componentes tinham que ser dar as mãos e formar um círculo, se locomovendo e tocando a bola um para o outro. Estava indo tudo bem, até que precisamos renovar os trios e um dos membros precisava sair. O moço que estava em nosso grupo se ofereceu para sair, mas o professor não deixou, disse que ele precisava ficar, pois seria o homem daquela equipe, assim como ele, o professor, seria o homem da outra. Sendo assim, eu saí do grupo; entretanto, achei a atitude do profissional machista. A equipe poderia perfeitamente ter sido formada só com mulheres, pois a atividade não requeria força ou brutalidade, mas apenas noções de lateralidade e coordenação motora.

Ao final, enquanto descansávamos um pouco, a psicóloga pediu para que falássemos um pouco da atividade, e nós fomos sinceras e dissemos ao professor que havíamos entendido a atitude dele como machista. Ele disse que não havia sido sua intenção mas aceitou a crítica.

À tarde continuamos a fazer nossas lembrancinhas de Natal durante a TO. Eu terminei uma (a vela) e comecei a fazer outra (uma estrela). Mas as terapeutas nós dispensaram mais cedo, porque ameaçava chover forte ( e realmente choveu).

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

04/12/2019 - Dia 30


Nossa primeira atividade foi assistir a uma animação que falava sobre a diferença entre empatia e simpatia:


Depois, discutimos sobre o tema, e como sempre houve opiniões e visões bem diferentes, mas que sempre enriquecem a conversa.

Após, uma colega nos chamou para falarmos sobre os desdobramentos dos fatos de ontem. Uma paciente acha que talvez a intenção da colega que teve a crise não havia sido ruim, pelo contrário. Talvez ela, a seu modo, quisesse ajudar pessoas que, na visão dela, estivessem muito doentes, a ponto de se matarem. Eu também tenho esse pensamento, pode ser que o propósito tenha sido bom, ela merece o benefício da dúvida. A questão é que tudo foi feito à revelia dos envolvidos; talvez ela devesse ter conversado com eles antes.

Após o intervalo, na TO, voltamos a fazer lembrancinhas de Natal. Enquanto isso, a psicóloga fez algumas atividades com outro grupo. Eu preferia estar na terapia hoje, mas precisava terminar minha lembrança. Consegui concluir a tarefa: uma pequena vela de feltro verde, fechada com manta acrílica e costurada com linha vermelha aparente.


03/12/2019 - Dia 29

Ontem foi meu primeiro dia de redução; foi bom também não precisar ir à clinica, ter o dia livre. O médico falou que eu preciso ir desmamando do HD, e a redução de um dia é o primeiro passo.

Tivemos uma atividade bem interessante na oficina de comunicação: escrever uma carta para nós mesmos daqui a um ano. Então, contamos a nós mesmos como estamos hoje e como esperamos estar na mesma data ano que vem. Lemos nossa carta um para os outros e depois a psicóloga sugeriu que a levássemos para casa e a guardássemos, para ser lida daqui a um ano. Eu quis levar e já marquei em minha agenda o dia em que tenho que ler.

Durante a atividade, aconteceu uma coisa muito chata. Estávamos concentrados quando de repente começou um barulho, de mesas e cadeiras sendo derrubadas; depois, começaram os gritos, que foram ficando cada vez mais altos e transtornados - "Ninguém vai falar mal de mim!! NINGUÉM VAI FALAR MAL DE MIM!!!!. Era uma colega em crise; foram necessárias três pessoas para segurá-la, tamanha sua força naquele momento, enquanto a enfermeira lhe aplicava um calmante. Depois, vim a saber o que havia acontecido.

Ontem, essa paciente, ao sair da consulta com o psiquiatra, foi falar com o pessoal e disse que havia tirado "prints" das telas de conversa de nosso grupo do WhatsApp e mostrado ao médico. Quem estava presente na segunda-feira contou que seu objetivo era mostrar a ele como determinadas pessoas estavam desequilibradas (de acordo com as coisas que postavam, as vezes falando em suicídio) e lhe sugerir que recomendasse a internação dessas no regime fechado (em outro hospital, pois o nosso só funciona durante o dia). Os colegas ficaram super abalados com isso, muitos precisaram de disse extra de medicamento, sentiram que havia sido uma traição da parte dela. Por isso criaram outro grupo no Whatsapp, sem incluí-la.

Porém, hoje, alguém contou a ela sobre o novo grupo e até lhe mostrou as conversas. Então, ela ficou imaginando que o grupo havia sido criado para que ali se falasse mal dela. Isso a fez ficar extremamente nervosa, de tal forma que entrou em crise. Não sabemos (ou pelo menos eu não sei), quem revelou a ela sobre o grupo novo.

Pois é. Hoje vi que o HD também é uma reprodução da sociedade lá fora; nem tudo é amizade e solidariedade, e precisamos ficar atentos, deixar a ingenuidade de lado.

domingo, 1 de dezembro de 2019

29/11/2019 - Dia 28

No "Fechamento" de hoje, tivemos, como sempre, momentos de emoção. Temos uma nova colega, que está bem mal; ela tem quatro filhos, entre ele um bebezinho, e não está conseguindo fazer as coisas em casa, assim como muitos outros pacientes. E as filhas mais velhas, já adolescentes, é quem estão fazendo as tarefas, cozinhando, arrumando, cuidando dos irmãos menores; nossa colega está se sentindo muito mal com isso, ela não quer essa vida para as filhas. Além de tudo, uma das meninas disse para ela algo como "Por quê você está aqui em casa, se não faz nada??" Nossa, eu imagino como isso deve ter doído... Ninguém fica doente porque quer... Tentamos consolar nossas colega, dizendo que os filhos são assim, não cuidam dos pais como os pais cuidam deles, e que adolescentes são cruéis no jeito de falar, mas que no fundo as filhas devem estar sofrendo muito com a doença dela. Mas é muito difícil... A doença não é só do paciente, atinge também sua família e isso deixa quem está doente pior ainda, por se ver um fardo para todos, se achar inútil.

O intervalo foi animado, colegas contando suas histórias de antes da internação, seus trabalhos, sua vida. E depois as internações em regime fechado e o progresso para o HD. Disseram que nossa clínica era diferente antes, ficava em outro local, mais espaçoso, onde era possível até jogar vôlei; havia também mais professores de educação física e psicólogos, e as pessoas que hoje ficam em um canto, sem tomar parte de nada, participavam de tudo naquela época. Era tudo mais bonito e organizado, e até a comida era melhor. É... Contenção de despesas, crise. Afetou a todos.

A atividade da tarde foi um jogo de adivinhar charadas, e depois brincamos de "Stop". Uma coisa legal foi ver as TOs ajudarem os que têm mais dificuldade a escrever durante o Stop; dessa forma, puderam realmente participar, não ficaram à margem. Muito bom.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

22/11/2019 - Dia 23

No "Fechamento da Semana" havia poucas pessoas hoje. Às sextas, em geral, o número de pacientes que vão à clínica diminui bastante, por causa da "Redução". Escrevo em letra maiúscula isso é objeto de desejo de vários colegas; funciona assim: se o psiquiatra percebe um progresso considerável, a ponto de acreditar que o paciente não precisa ir ao HD todos os dias, ele lhe concede a tal "Redução". O colega então escolhe o melhor dia para ficar em casa. Alguns tem duas reduções, e só vão à clínica três vezes por semana.

Já falei anteriormente que não tenho me sentido bem, e então hoje resolvi mencionar isso no "Fechamento", ao assistente social. Não sei se fiz o correto, mas como não sou só eu que tenho tido esses problemas digestivos, talvez o assistente possa ao menos verificar com a empresa de alimentação se está tudo de acordo.

À tarde, na TO, brincamos de "Piu-Piu". A proposta é bem divertida: uma pessoa sai da sala e os demais combinam qual objeto deverá ser adivinhado por quem saiu. Por exemplo: todos combinam que será "brinco"; então, a pessoa que saiu volta para a sala e deve fazer perguntas ao grupo, substituindo a palavra que definiria o objeto (que ela ainda não sabe qual é) por "Piu-Piu". Essa parte, a de perguntar, é engraçada, pois fica assim "Fulano tem Piu-Piu?" e o grupo responde sim ou não. Outra:  "O Piu-Piu do Fulano é vermelho?", e assim por diante. Obviamente, o duplo sentido que pode haver nas perguntas devido à senha "Piu-Piu" muitas vezes nos fazia cair na risada. O único problema é que, como havia pouca gente por ser sexta, o objeto era logo adivinhado e a graça acabava logo. Mas, mesmo assim, foi muito bom - como em todas as sextas. 

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

21/11/2019 - Dia 22


De manhã assistimos ao filme "Miracle Run - Uma Viagem Inesperada":


É sobre uma mãe solteira de gêmeos fraternos autistas, e sua luta para que tivessem uma vida a mais normal possível. Ela tem muita paciência e sobretudo muito amor, e exerce papel fundamental na rotina dos filhos. Ao término, discutimos o assunto; a conversa foi boa, eu me identifiquei por ter autistas na família.

Senti-me mal hoje. Creio que a comida do hospital não está me fazendo bem, pois desde que entrei no HD tenho problemas de digestão semana sim, semana não. A comida é bem preparada, mas tenho a impressão de que os ingredientes não são de primeira. Não sou a única; uma colega que entrou junto comigo também já ficou doente várias vezes. Acho que vou falar com a equipe de enfermagem, para que investiguem junto à empresa terceirizada que fornece a alimentação.

À tarde, na TO, fizemos lembrancinhas de feltro com motivos natalinos, para serem distribuídas durante a festa de Natal, na brincadeira de Amigo Secreto. Dá um pouquinho de trabalho, mas é gostoso e fica bem bonitinho, especialmente se o feltro é costurado com um tipo de ponto que fica à mostra, que a terapeuta me ensinou a fazer.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

18/11/2019 - Dia 20

Depois de quase duas semanas de ausência, voltei ao HD. Dia 5, fui ao oftalmo investigar uma mancha que estava prejudicando minha visão do olho direito, e ele descobriu que era descolamento de retina. Precisei operar com urgência e ficar em repouso, e por isso só retornei à clínica hoje.

Dia normal, histórias sempre comoventes. Uma colega foi convidada pela irmã para irem fazer compras no fim de semana, e ela foi. Entretanto, as ruas estavam muito cheias, ela começou a ter uma crise de pânico, muito medo das pessoas na rua, e pediu à irmã que fossem embora. O pedido foi atendido, mas de má vontade; a irmã não compreendeu que se tratava de um momento em que a razão deixa de existir, é a doença se manifestando, nada do que se diga pode abrandar o sofrimento. Nossa colega sofreu com essa falta de empatia, ficou muito triste, e nem as desculpas recebidas no final do dia a fizeram sentir-se melhor.

Uma outra colega nos contou uma coisa boa: havia participado de um retiro espiritual durante o fim de semana, e os dias de reflexão lhe trouxeram revelações importantes e emocionantes. Ela saiu de lá uma nova mulher e disse que se sente muito, muito bem. E todos nós também ficamos felizes por ela, primeiro pela amizade, e depois porque a vitória de cada um é a vitória de todos lá no HD; traz esperança, traz alento.

Havia três novos colegas, que entraram semana passada e hoje. É estranho, pois quando alguém novo chega, a gente observa a pessoa e fica se perguntando qual será o problema, a doença dela. A gente sempre acha que parece que o paciente em questão não tem nada. Claro, sempre nos enganamos; ninguém fica internado à toa. Mas também, cada dia mais, constatamos a imprecisão do ditado "as aparências enganam"... Não, elas não enganam! Elas simplesmente não dizem nada sobre ninguém. Absolutamente nada. E vamos aprendendo aos poucos a não julgar ninguém.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

05/11/2019 - Dia 19

Às terças de manhã acontece a "Oficina de Comunicação". É o momento em que lemos um texto, ouvimos uma música, assistimos a um vídeo curto ou confeccionamos matérias para a HD Mix, a revista do hospital e depois discutimos o tema. Hoje foi dia de ler um poema sobre mudança:


(Infelizmente, a poesia é creditada a Clarice Lispector, quando na verdade o autor é Edson Marques - que está na justiça para reaver direitos autorais.)

A conversa foi produtiva. A maioria falou sobre mudanças que devem, precisam ocorrer; eu escrevi um outro poema, falando que mudar é fácil quando não dói, quando não é obrigatório e nem toca em feridas profundas. É fácil quando a mudança é voluntária, uma nova experimentação; senão, dói demais.

Foi doloroso constatar o quanto a doença, especialmente nas mulheres, maioria no grupo de hoje, afeta a família. Maridos que começaram a beber, a se desequilibrar, a tomar medicamentos depois que suas esposas adoeceram. E essas esposas fazendo seus depoimentos em desespero, chorando, cheias de culpa... Culpa deveria ser uma palavra grafada sempre com letra maiúscula, tamanho o peso que ela impõe, tamanha a infelicidade que ela carrega consigo. E como é difícil se livrar dela... Quanto trabalho, quanto esforço. Você se despoja da culpa quando desenvolve autoestima, quando amadurece; recentemente, uma pessoa sábia me disse: substitua a palavra "culpa" por "responsabilidade". Por exemplo: você quebrou um vaso na casa de alguém; não diga "Aiiiii, foi tudo culpa minha!!!!". Diga "Olha, foi responsabilidade minha. Fique tranquila que foi substituí-lo." Para quem ouve, pode não haver diferença alguma; para quem fala, a conquista é imensa.




segunda-feira, 4 de novembro de 2019

04/11/2019 - Dia 18

Como em todas as segundas, iniciamos o dia com os relatos de nosso fim de semana. Algumas pessoas dizem que está tudo bem, que foi tranquilo; uma outra contou que se superou ao conseguir ligar para uma companhia telefônica e resolver um problema... Eu aprendo muito ao ver o quanto pequenas conquistas significam para alguns pacientes. Outro dia, dois deles relataram estarem muito felizes pois haviam conseguido ir à feira; um deles, com o filho, adulto, com o qual dividiu o clássico pastel com caldo de cana.

Eu não estava muito bem, chorei... Mas recebi a solidariedade e carinho de colegas que normalmente são fechados, que sofrem de problemas sérios, e que dividiram um pouco de sua história comigo para me ajudar a encontrar o meu caminho. Foi muito importante e significou muito para mim.

Durante meu relato, um paciente fez perguntas íntimas, inconvenientes. Nossa... vários colegas e o assistente social vieram em meu socorro, pedindo que o colega não falasse coisas que me constrangessem. Eu fiquei com pena dele até, mas ele realmente foi muito invasivo.

No intervalo, uma das colegas que me ajudou na terapia em grupo cuidou do meu cabelo, penteou, passou óleos hidratantes. Depois me deu um dos óleos! Essa pessoa é muito sofrida, isso não a impediu de desenvolver vários talentos em diversas áreas; ela é extremamente inteligente.

No atelier de hoje, teci só um pouquinho de meu cachecol, pois queria fazer um turbante que outras meninas estavam fazendo. São tiras de tecido que temos que costurar; eu adoro dar pontos, me relaxa. Acho que amanhã mesmo eu consigo terminar e usar.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

01/11/2019 - Dia 17

Pela manhã, tivemos o "Fechamento". Uma das colegas chorou muito, pois ela estava bem até então, mas havia tido uma crise de pânico no dia anterior. Ela tem muito medo de morrer, e quando acontecem as crises, não consegue pensar de forma racional, fica extremamente ansiosa e passa a ter sintomas físicos: o coração dispara, a cabeça começa a esquentar, desde a nuca. É muito difícil ser portador de Síndrome do Pânico, porque falta também a empatia dos outros; todos veem que a pessoa está bem, que é saudável, e que ficar tão nervosa por medo de morrer (no caso dela) é bobagem. Alguns dizem até mesmo que é frescura. Já não existe muita solidariedade com os portadores de qualquer transtorno mental ou de personalidade, mas acho que no caso do pânico isso fica ainda mais exacerbado e a pessoa portadora da doença deve se sentir muito sozinha, o que piora o quadro.

Estou notando um aspecto ruim no HD, que preciso trabalhar em mim. É que há pacientes internados há dois, seis, dez anos e até mais, fazem terapia, tem consulta semanal com o psiquiatra, tomam medicamentos mas não veem perspectiva de alta... Seus quadros não se estabilizam... É como se o hospital fosse um trabalho ou uma segunda casa. Uma rotina quase perpétua da qual não há escapatória; a gente se envolve emocionalmente com essas pessoas, fica muito penalizada com a situação delas. O problema é que passa pela minha cabeça que eu também posso passar muito tempo naquele lugar, e que, apesar de todo o progresso que venho observando, posso ter outra crise e regredir. Isso não é uma ideia fixa e pessimista, mas sim um pensamento que procuro expulsar logo, pois tenho muita fé em minha cura. Venho fazendo tudo o que posso, dentro e fora da clínica, para me fortalecer, melhorar meu autoconhecimento e autoestima, e voltar à minha vida normal. De qualquer forma, nunca vou me esquecer de tudo o que estou vivendo e aprendendo no hospital.

À tarde foi dia de atividade lúdica: jogamos "Imagem & Ação", com mímica. Foi muito divertido, rimos bastante. Havia algumas palavras ou frases bem difíceis para serem traduzidas em gestos (por exemplo: saiu "Rio Amazonas" para mim. Consegui apenas fazer os colegas adivinharem o estado, Amazonas, mas não deu tempo de sacarem que a outra palavra era "rio") e outras fáceis demais ("rir"). E ninguém liga muito de ganhar ou perder. O importante é a alegria de participar; isso é o melhor de tudo, olhar ao redor e ver que todos estão com um sorriso no rosto.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

29/10/2019 - Dia 14

Pela manhã, tivemos uma atividade diferente (para mim): a confecção da HD Mix, a revista do hospital. É assim: cada um escolhe o tema que quiser e folheia as revista em busca de imagens correspondentes; em seguida, recorta e cola as fotos em folhas de A3, de A4 ou de flip chart (aquele cavalete de madeira que tem um suporte para fixação de papel na parte superior, muito utilizado em cursos e apresentações), escreve e decora como desejar e depois fala sobre sua ideia. Foi interessante, percebem-se muitos dotes artísticos nessas oficinas.

Durante a atividade, fui chamada pela técnica em enfermagem para ir à minha consulta semanal. O psiquiatra ficou feliz em ver que estou melhor e me deu parabéns pela visível evolução. Disse que, mais para frente, vai verificar a possibilidade de me conceder uma redução (que é a retirada de um dia de tratamento na semana. Por exemplo: algumas pessoas têm redução às segundas-feiras, e então não precisam ir ao HD nesse dia). Só espero, muito, que o médico não resolva me deixar no hospital até janeiro, que é quando se encerra meu benefício no INSS; quero ter alta antes, para poder fazer outras coisas antes de voltar a trabalhar. Mas... o mais importante é eu estar bem, não importa quanto tempo isso vai levar. Não é bom ter pressa, em se tratando de saúde.

Hoje entrou uma nova colega na clínica; entretanto, alguns pacientes comentaram que ela havia dito que não ficaria internada lá de jeito nenhum, que tinha obrigações e precisava voltar a elas. E, de fato, após o almoço ela foi conversar com o psiquiatra, faltou de seu desejo e não teve como convencê-la do contrário; o médico lhe deu alta e ela nem iniciou um projeto de artesanato na terapia ocupacional. É engraçado como ficamos chateados com essas coisas... Sabemos que o HD poderia ajudá-la a melhorar, seja qual for seu transtorno e, ao virmos sua desistência, ficamos tristes por ela não ter dado uma chance a si mesma.

Na hora do almoço, colegas presenciaram uma discussão entre dois outros pacientes; o desentendimento foi devido ao lugar na fila para ser servido. Cada um clamava pela dianteira, até que um deles deu um basta e assumiu a posição que julgava ser sua, e foi o primeiro a almoçar. Nota-se que é comum no HD alguns internos brigarem por posse de coisas simples, como o controle da televisão, determinada poltrona, etc. Acredito que faça parte das características de certos transtornos (TOC, por exemplo), mas sendo doença ou não, essas histórias já geraram até suspensões de pacientes.