No "Fechamento" de hoje, tivemos, como sempre, momentos de emoção. Temos uma nova colega, que está bem mal; ela tem quatro filhos, entre ele um bebezinho, e não está conseguindo fazer as coisas em casa, assim como muitos outros pacientes. E as filhas mais velhas, já adolescentes, é quem estão fazendo as tarefas, cozinhando, arrumando, cuidando dos irmãos menores; nossa colega está se sentindo muito mal com isso, ela não quer essa vida para as filhas. Além de tudo, uma das meninas disse para ela algo como "Por quê você está aqui em casa, se não faz nada??" Nossa, eu imagino como isso deve ter doído... Ninguém fica doente porque quer... Tentamos consolar nossas colega, dizendo que os filhos são assim, não cuidam dos pais como os pais cuidam deles, e que adolescentes são cruéis no jeito de falar, mas que no fundo as filhas devem estar sofrendo muito com a doença dela. Mas é muito difícil... A doença não é só do paciente, atinge também sua família e isso deixa quem está doente pior ainda, por se ver um fardo para todos, se achar inútil.
O intervalo foi animado, colegas contando suas histórias de antes da internação, seus trabalhos, sua vida. E depois as internações em regime fechado e o progresso para o HD. Disseram que nossa clínica era diferente antes, ficava em outro local, mais espaçoso, onde era possível até jogar vôlei; havia também mais professores de educação física e psicólogos, e as pessoas que hoje ficam em um canto, sem tomar parte de nada, participavam de tudo naquela época. Era tudo mais bonito e organizado, e até a comida era melhor. É... Contenção de despesas, crise. Afetou a todos.
A atividade da tarde foi um jogo de adivinhar charadas, e depois brincamos de "Stop". Uma coisa legal foi ver as TOs ajudarem os que têm mais dificuldade a escrever durante o Stop; dessa forma, puderam realmente participar, não ficaram à margem. Muito bom.
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domingo, 1 de dezembro de 2019
terça-feira, 19 de novembro de 2019
19/11/2019 - Dia 21
Hoje, minha primeira atividade foi a consulta ao psiquiatra. Gosto tanto desse médico! Relatei como havia sido meu período de ausência, e que eu tinha ficado um pouco triste após a cirurgia, mas depois havia conseguido me reerguer, ele, ao final da consulta, me deu um abraço e me disse que tinha ficado muito feliz com meu progresso.
Depois, na Oficina de Comunicação, lemos o seguinte artigo da Folha de São Paulo:
O texto mexeu muito com algumas pessoas, a ponto de algumas nem conseguirem falar. A carência é uma característica muito comum entre os pacientes, bem como a baixa autoestima. E não importa a idade.
Tortura Psicológica - Mirian Goldenberg
Tenho entrevistado homens e mulheres com mais de 60 anos.
Eles casaram, tiveram filhos e até netos. Montaram suas casas, compraram seus carros, superaram crises pessoais, familiares e profissionais. Mas será que se tornaram pessoas mais sábias e maduras com o passar do tempo?
Observo que muitos continuam sofrendo pelos mesmos motivos pelos quais sofriam na infância. Ainda hoje choram porque tiveram um pai violento, crítico ou ausente. Também sofrem porque não foram suficientemente reconhecidos, elogiados e amados pelos pais.
Uma professora de 63 anos contou: “Apanhei muito do meu pai e, até ele morrer, nunca recebi um só gesto de carinho, uma palavra de amor, um presente especial. Sofro muito ao ver a relação do meu marido com a filha do primeiro casamento dele. Ele é um pai muito amoroso, o pai que eu sempre quis ter e nunca tive”.
Ela se considera uma “mendiga emocional”. “Testemunho o amor incondicional que meu marido sente pela filha. Tudo é para ela: carinho, atenção, cuidado, tempo, dinheiro. Eu me sinto uma mendiga: só fico com as migalhas. É uma verdadeira tortura psicológica”.
É muito frequente casais se separarem quando o filho nasce porque o marido não consegue suportar a atenção que a esposa dedica ao recém-nascido. É o que aconteceu com um músico de 61 anos: “Eu me separei do grande amor da minha vida depois que o nosso filho nasceu. Eu me senti excluído da vida dela, abandonado, rejeitado. É impossível competir com este tipo de amor”.
Ao ouvir tantas histórias tristes, percebi que é importante aprender a cuidar com amor, atenção e carinho da criança que um dia fomos e que, de certa forma, continuaremos a ser até o fim de nossas vidas.
Quem sabe assim conseguimos minimizar o sofrimento e ainda economizar muitos anos de análise?
O texto mexeu muito com algumas pessoas, a ponto de algumas nem conseguirem falar. A carência é uma característica muito comum entre os pacientes, bem como a baixa autoestima. E não importa a idade.
Porém, nem tudo é triste. Foi muito bacana ouvir um moço jovem dizer que todos os dias abraçava seus pais e seus irmãos e que sabia que isso era cafona (afirmação que refutamos imediatamente), mas que ele não conhecia o dia de amanhã, e queria deixar tudo resolvido, todos os dias, para nunca haver tristeza e arrependimento. Uma lição para os mais velhos, para todos.
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