terça-feira, 17 de dezembro de 2019
17/12/2019 - Dia 36
Após o almoço, tive a consulta semanal com meu médico mesmo, que voltou de férias. Foi uma ótima consulta, pois ele me perguntou sobre tudo o que havia feito e sentido em sua ausência, e ficou feliz ao ver minha evolução. Por isso, combinamos minha alta; ele voltou a dizer que não é bom que eu continue por mais tempo no HD agora. Como eu volto a trabalhar na segunda metade de janeiro, precisaria ser liberada mesmo do hospital, e o doutor adiantou um pouco isso, para que eu possa tirar umas férias, ir para a praia, antes de retornar à rotina normal.
Na TO, achei que fosse finalizar o boneco de neve de barbante, mas... as bexigas onde colei os fios murcharam durante o fim de semana, e o barbante murchou também... Bom, comecei de novo. Vamos ver se vai dar tempo de ficar pronto até quinta-feira, dias do almoço de Natal. Aliás, estou pensando também em meu cachecol de tear... Não terminei ainda, porque interrompi o trabalho várias vezes. Vou pedir às terapeutas para tecê-lo em outros dias da semana, de forma que eu consiga concluí-lo!
terça-feira, 26 de novembro de 2019
26/11/2019 - Dia 25
Foi uma boa consulta. Falei do problema digestivo e do meu fim de semana, disse que havia participado de um evento de meditação no sábado que tinha sido ótimo (ele dá muito apoio a terapias alternativas, diz que cada coisa tem seu papel e que precisamos de tudo para sermos completos), mas que eu não havia aproveitado 100% porque estava um pouquinho triste. Mesmo assim, ele viu que estou tendo progressos e estou mais estável e então ele me concedeu... Redução!! Agora, não precisarei mais ir à clínica às segundas-feiras (eu escolhi o dia)! Fiquei feliz, não porque não preciso mais ir nesse dia, mas pelo reconhecimento da melhora.
No intervalo do almoço, nos reunimos no pátio para conversar, várias pessoas. Uma colega começou a nos contar sobre o estopim para sua doença: como muitos de nós, havia sido o trabalho. Ela trabalhava em uma empresa onde era obrigada a fazer diversas tarefas que não tinham na a ver com a função para a qual fora contratada, algumas até de certo risco, como levar ou trazer grandes quantias de dinheiro do banco pela rua. Um dia, seu chefe foi comer um pão francês, mas todos haviam se acabado, e por isso ele se levantou contra ela (obviamente a responsável por comprar o pão também) que sofreu uma grande humilhação e injustiça de uma pessoa autoritária, que se impunha de forma ostensiva e tirava proveito de sua condição de pobreza.
Infelizmente, relatos como esse não são incomuns. Não importa o tipo de trabalho, o salário ou o local, pessoas são humilhadas, maltratadas, agredidas verbalmente. E, muitas vezes, isso acarreta enfermidades físicas e, o que é pior em minha opinião, doenças emocionais/psicológicas/psiquiátricas. Digo "pior", porque esses problemas não são diagnosticáveis via exames de laboratórios, em geral são muito mais difíceis de serem tratados e curados do que os físicos e seu portador ainda carrega um estigma que provavelmente irá prejudicar sua carreira e vida profissional para sempre.
terça-feira, 19 de novembro de 2019
19/11/2019 - Dia 21
O texto mexeu muito com algumas pessoas, a ponto de algumas nem conseguirem falar. A carência é uma característica muito comum entre os pacientes, bem como a baixa autoestima. E não importa a idade.
sexta-feira, 1 de novembro de 2019
01/11/2019 - Dia 17
Estou notando um aspecto ruim no HD, que preciso trabalhar em mim. É que há pacientes internados há dois, seis, dez anos e até mais, fazem terapia, tem consulta semanal com o psiquiatra, tomam medicamentos mas não veem perspectiva de alta... Seus quadros não se estabilizam... É como se o hospital fosse um trabalho ou uma segunda casa. Uma rotina quase perpétua da qual não há escapatória; a gente se envolve emocionalmente com essas pessoas, fica muito penalizada com a situação delas. O problema é que passa pela minha cabeça que eu também posso passar muito tempo naquele lugar, e que, apesar de todo o progresso que venho observando, posso ter outra crise e regredir. Isso não é uma ideia fixa e pessimista, mas sim um pensamento que procuro expulsar logo, pois tenho muita fé em minha cura. Venho fazendo tudo o que posso, dentro e fora da clínica, para me fortalecer, melhorar meu autoconhecimento e autoestima, e voltar à minha vida normal. De qualquer forma, nunca vou me esquecer de tudo o que estou vivendo e aprendendo no hospital.
À tarde foi dia de atividade lúdica: jogamos "Imagem & Ação", com mímica. Foi muito divertido, rimos bastante. Havia algumas palavras ou frases bem difíceis para serem traduzidas em gestos (por exemplo: saiu "Rio Amazonas" para mim. Consegui apenas fazer os colegas adivinharem o estado, Amazonas, mas não deu tempo de sacarem que a outra palavra era "rio") e outras fáceis demais ("rir"). E ninguém liga muito de ganhar ou perder. O importante é a alegria de participar; isso é o melhor de tudo, olhar ao redor e ver que todos estão com um sorriso no rosto.
terça-feira, 29 de outubro de 2019
29/10/2019 - Dia 14
Durante a atividade, fui chamada pela técnica em enfermagem para ir à minha consulta semanal. O psiquiatra ficou feliz em ver que estou melhor e me deu parabéns pela visível evolução. Disse que, mais para frente, vai verificar a possibilidade de me conceder uma redução (que é a retirada de um dia de tratamento na semana. Por exemplo: algumas pessoas têm redução às segundas-feiras, e então não precisam ir ao HD nesse dia). Só espero, muito, que o médico não resolva me deixar no hospital até janeiro, que é quando se encerra meu benefício no INSS; quero ter alta antes, para poder fazer outras coisas antes de voltar a trabalhar. Mas... o mais importante é eu estar bem, não importa quanto tempo isso vai levar. Não é bom ter pressa, em se tratando de saúde.
Hoje entrou uma nova colega na clínica; entretanto, alguns pacientes comentaram que ela havia dito que não ficaria internada lá de jeito nenhum, que tinha obrigações e precisava voltar a elas. E, de fato, após o almoço ela foi conversar com o psiquiatra, faltou de seu desejo e não teve como convencê-la do contrário; o médico lhe deu alta e ela nem iniciou um projeto de artesanato na terapia ocupacional. É engraçado como ficamos chateados com essas coisas... Sabemos que o HD poderia ajudá-la a melhorar, seja qual for seu transtorno e, ao virmos sua desistência, ficamos tristes por ela não ter dado uma chance a si mesma.
Na hora do almoço, colegas presenciaram uma discussão entre dois outros pacientes; o desentendimento foi devido ao lugar na fila para ser servido. Cada um clamava pela dianteira, até que um deles deu um basta e assumiu a posição que julgava ser sua, e foi o primeiro a almoçar. Nota-se que é comum no HD alguns internos brigarem por posse de coisas simples, como o controle da televisão, determinada poltrona, etc. Acredito que faça parte das características de certos transtornos (TOC, por exemplo), mas sendo doença ou não, essas histórias já geraram até suspensões de pacientes.
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
25/10/2019 - Dia 12
quinta-feira, 24 de outubro de 2019
24/10/2019 - Dia 11
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
22/10/2019 - Dia 9
sexta-feira, 18 de outubro de 2019
18/10/2019 - Dia 7
Após o grupo, tive um momento singular, muito bacana. Um dos colegas é escritor infanto-juvenil e quando ele nos disse o título do livro, comprei-o pela internet. Chegou esses dias, e hoje levei-o para o autor autografar; ele ficou feliz, disse que meu gesto tinha sido muito delicado e fez uma bonita dedicatória para mim. Nossa, eu, que amo tanto ler, me senti privilegiada por conviver com um escritor e poder conversar sobre a obra dele! Muito bom.
Alguns dias atrás, mencionei sobre uma paciente portadora de TOC, que fazia faxina o dia todo, colocava os espelhos de molho e tinha muito medo de germes. Pois bem, hoje soube mais sobre essa pessoa: o motivo que a havia levado aos extremos do transtorno foi uma infecção generalizada que ela adquirira por contato com fungos, e que a levou a muitos dias de internação com risco de vida. Essa mesma pessoa tem uma filha diagnosticada com borderline, que tentou se matar e ficou internada por bastante tempo, em regime fechado.
A parte da tarde foi muito legal: às sextas, para fechar a semana com mais leveza, as TOs levam jogos, para serem jogados em grupo. Hoje foi o "Perfil", que adoro, e em que precisamos adivinhar o nome de uma pessoa, coisa, lugar ou um determinado ano, com base em dicas lidas para cada grupo. Quanto menos dicas se usa para acertar, mais casas se avança no tabuleiro. Foi super divertido; meu grupo ganhou a primeira rodada, perdeu a segunda e não houve tempo de terminar a terceira. Mas não importa; o que vale é que foi um momento feliz para mim e, pelo que pude sentir, para a maioria dos meus colegas.
quinta-feira, 17 de outubro de 2019
17/10/2019 - Dia 6
Após o almoço, no intervalo, conversamos bastante e jogamos pingue-pongue. Foi divertido e cansativo (correr atrás da bolinha, abaixar...). Depois, como é quinta, continuamos a fazer a decoração para o Halloween; havia também a alternativa da musicoterapia, mas o artesanato me deixa mais focada, me relaxa mais. Só havia mulher no atelier hoje, então pudemos conversar à vontade sobre assuntos femininos, especialmente sobre corpo, peso e autoestima.
Estou gostando muito de trocar experiências com os colegas do HD. Todas as discussões são enriquecedoras, ensinam muito e nos fazem ver que estamos todos no mesmo barco, não importa qual seja o diagnóstico de cada um.
Uma das coisas tristes de hoje foi ter visto os cortes que uma paciente fez intencionamente no corpo. Não somente nos pulsos, mas também nos braços e, segundo eu soube, na barriga também. Sinto vontade de fazer algo por ela, mas percebo ser impotente ante o desespero e a falta de perspectiva da pessoa. No máximo, podemos conversar, acolher... Mas creio que isso já seja alguma coisa.
Noto que vários colegas continuam não participando de nenhuma atividade. Ficam sentados no pátio, fumando ou no refeitório, lendo... Pergunto-me se terão condições de sair do hospital algum dia, pois na verdade não estão tomando parte no tratamento - estão lá, apenas, comparecendo diariamente à clínica, mas sem se envolver em nada. Sinto pesar por eles, quero que todo mundo possa ter uma vida normal um dia. Por melhor que seja o HD, não podemos deixar de lutar pela meta de ter alta.
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
16/10/2019 - Dia 5
Pela manhã, assistimos o vídeo abaixo, bem bonitinho por sinal, sobre ansiedade:
Depois, discutimos sobre o tema. Fiquei feliz ao ver que um dos colegas, que nunca participa das atividades, entrou na sala e compartilhou sua visão sobre ansiedade. A parte triste é que, para que seu depoimento fizesse sentido, ele nos contou que fora viciado em drogas por 20 anos, da adolescência à quase meia idade e que a adicção o fizera perder tudo o que tinha: casa, carro, dinheiro e, obviamente, saúde.
Observei que há muitos fumantes no hospital dia (na verdade, ninguém se refere à clínica por esse nome. Todos dizem "HD".), alguns muito novos e que fumam o dia inteiro. Hoje mesmo, testemunhei um desses colegas acendendo um cigarro no outro; foram três ou quatro em sequência, em um intervalo de menos de meia hora. Talvez a própria doença leve ao vício, para suprir algo ou aplacar a ansiedade.
À tarde, alguns de nós iriam para a TO, confeccionar suportes para panos de prato, mas a psicóloga nos chamou para um grupo de conversa. A dinâmica foi assim: cada um escreveu uma palavra/frase curta relacionada a algum sentimento (por exemplo, aceitação, amor, insegurança, sede de viver) em um pedaço de papel. Então, alguém sorteou um dos papéis e conversamos sobre o tema nele escrito (aceitação, no caso). Foi uma boa discussão, eu falei bastante e aprendi mais sobre um dos transtornos que eu julgo menos conhecidos: o borderline. A doença se caracteriza "por um padrão generalizado de instabilidade em relacionamentos, autoimagem, humor e comportamento, bem como hipersensibilidade à possibilidade de rejeição e abandono (...) A pessoa com transtorno de personalidade limítrofe não tolera ficar sozinha e pode recorrer a ações autodestrutivas para conseguir lidar com o fato de que está sozinha ou para evitar que isso ocorra. Ela realiza esforços frenéticos para evitar o abandono, incluindo criar crises. Por exemplo, a pessoa pode cometer uma tentativa de suicídio para conseguir comunicar sua angústia e fazer com que outras pessoas a resgatem e cuidem dela.(...)" (Manual MSD - Transtorno de Personalidade Borderline).
Quanto mais o tempo passa, mais eu sinto o quanto tenho que aprender com meus colegas e com os profissionais do HD.
terça-feira, 15 de outubro de 2019
15/10/2019 - Dia 4
Ao terminar a consulta, voltei à atividade com a psicóloga, que se tratava de ler e comentar o seguinte texto, chamado "Vende-se um sítio"
Certa vez, um grande amigo do poeta Olavo Bilac queria muito vender uma propriedade, de fato, um sítio que lhe dava muito trabalho e despesa. Reclamava que era um homem sem sorte, pois as suas propriedades davam-lhe muitas dores de cabeça e não valia a pena conservá-las. Pediu então ao amigo poeta para redigir o anúncio de venda do seu sítio, pois acreditava que, se ele descrevesse a sua propriedade com palavras bonitas, seria muito fácil vendê-la.
E assim Olavo Bilac, que conhecia muito bem o sítio do amigo, redigiu o seguinte texto:
"Vende-se encantadora propriedade onde cantam os pássaros, ao amanhecer, no extenso arvoredo. É cortada por cristalinas e refrescantes águas de um ribeiro. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes, na varanda."
Meses depois, o poeta encontrou o seu amigo e perguntou-lhe se tinha vendido a propriedade.
"Nem pensei mais nisso", respondeu ele. "Quando li o anúncio que você escreveu, percebi a maravilha que eu possuía."
Algumas vezes, só conseguimos enxergar o que possuímos quando pegamos emprestados os olhos alheios.
As opiniões foram diversas. Desde "sim, temos que valorizar o que temos e não querer mais nada" até "sim, temos que valorizar o que temos, mas temos o direito de fazer outras escolhas". O texto é simples, mas o tema é complexo de certa forma. Eu vejo assim.
Na sala onde fizemos essa atividade havia um banquinho azul, pintado com motivos do mar: peixes, algas, bolhas, etc. Achei muito bonito e comentei em voz alta; um colega veterano então contou que ele havia ajudado a pintar, mas que a maior parte havia sido feita por uma antiga paciente, falecida. Fiquei me perguntando qual teria sido a causa da morte, mas não perguntei nada. À tarde, durante a TO, uma pessoa indagou sobre aquela paciente e um outro colega disse que ela havia morrido; com alguma resistência, contou que ela havia cometido suicídio por overdose de medicamentos. Inclusive, uma semana antes, o havia avisado de que estava esperando tais remédios chegarem em sua casa; o infelizmente, os conselhos do colega para ela foram em vão.
Essas histórias me entristecem muito, sugam minha energia. Espero que amanhã o dia traga mais alegria.
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
14/10/2019 - Dia 3
Hoje não acordei muito bem, acho que é efeito da dosagem mais alta de um dos remédios. Ainda bem que só preciso tomá-lo por mais sete dias...
No hospital, pela manhã, foi um pouco pesado. Tivemos que contar em grupo como havia sido o fim de semana, e para algumas pessoas não foi nada agradável. Uma não conseguiu ir visitar a família porque o cônjuge não quis sair; outra, bem solitária, foi para a cama às oito da noite; outra brigou com os pais, que a chamaram de mentirosa por ter faltado ao hospital na sexta por motivo de gripe. Essa briga resultou em severa autopunição: a pessoa em questão fez vários cortes no pulso, pois se sentia culpada por ter brigado com os pais. Após compartilhar o fato conosco, uma outra pessoa, que nunca se coloca, falou; ela tinha muitas experiências de corte e automutilação, havia encontrado uma forma de contornar isso e recomendou-a à colega: ao sentir vontade de se cortar, faça isso no cabelo. De acordo com essa pessoa, ver mechas de cabelo caindo traziam a mesma sensação de êxtase que a de ver o sangue escorrendo. Isso tudo é muito triste... Uma outra pessoa disse que tinha um determinado pensamento repetitivo que a dominava; solidarizei-me com ela e disse que eu sentia a mesma coisa. Essa mesma pessoa iniciou recentemente um novo tratamento, que é uma opção à eletroconvulsoterapia - ECT - o famoso "choque". Trata-se da Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) - um tipo de capacete que emite impulsos eletromagnéticos por meia hora (15 minutos nas primeiras sessões, para adaptação); é menos agressivo que a ECT, mas causa dores de cabeça.
É doído ver, nesses grupos, quantas pessoas infelizes há por aí... Quantos adultos, alguns bem maduros, vivem com os pais, não conseguiram desenvolver uma vida independente. Quantos problemas, terapias, tratamentos, remédios... Quanto sofrimento...
Após o almoço, descansamos conversando debaixo da jabuticabeira (que está carregadinha, frutos um pouco verdes, mas até quarta acho que estarão no ponto); em seguida, TO. Foi dia de atelier, e escolhi pintar um pano de prato e, enquanto trabalhava, fiquei ouvindo as histórias dos outros pacientes. Em especial, uma me chamou a atenção: apesar de não ter dado nome à sua doença e de não parecer muito satisfeita em estar na clínica, estava claro que era TOC. A pessoa fazia faxina o dia todo, colocava inclusive os espelhos de molho, andava na rua de máscara e luva com medo de germes. Existe um termo, misofobia, usado para definir o medo de sujeira e contaminação. É muito difícil a vida de um portador de transtorno obsessivo-compulsivos mas, assim como no caso das demais doenças mentais, somente quem sofre na pele é que sabe dessa dificuldade.
Espero que o dia seja mais leve amanhã, apesar de eu ter a consciência de que não estou em uma colônia de férias.
sexta-feira, 11 de outubro de 2019
11/10/2019 - Dia 2
A parte da manhã foi muito interessante hoje. Às sextas é realizada a atividade "Fechamento da Semana", em que os pacientes escrevem o que ocorreu, como se sentiram, etc. durante os sete dias anteriores; em seguida, cada um lê o que escreveu e os outros fazem observações e comentários. O trabalho é normalmente acompanhado por uma psicóloga, mas como ela está afastada por alguns dias, foi conduzido pelo assistente social.
Foi um momento em que pudemos saber mais da doença, do tratamento, das medicações e da vida de cada um. É incrível como todos se tornam especialistas em medicamentos psicotrópicos e trocam experiências sobre seus efeitos. Por exemplo, um moço muito deprimido não está se adaptando à fluoxetina, tem sintomas horríveis como palpitação, falta de ar, entre outros e, além de tudo, a depressão piorou. Ele está persistindo, mas sem muita esperança. Nós o aconselhamos a conversar com a psiquiatra, colocar tudo o que havia dito no grupo, para que ela talvez alterasse o remédio.
Aliás, eu ainda não disse: toda semana passamos em consulta com o(a) psiquiatra. A cada paciente é atribuído um médico, então eu sempre vou passar com o mesmo, para haver uma sequência no acompanhamento. Esse profissional vai verificar se a medicação está funcionando e fazer os devidos ajustes; acho que agora meus remédios estão bem sincronizados, e espero não precisar mudar. Entretanto, se eu realmente não estiver apenas deprimida, mas sim com transtorno bipolar, dependendo da fase da doença (depressão ou mania) é que vou comprovar se os medicamentos estão realmente ajustados.
Hoje o almoço foi muito gostoso: arroz, feijão, bife à milanesa, purê, salsicha com molho, batata palha, salada, brigadeiro e pirulito. Acho que às sextas eles devem fazer essas concessões de guloseimas, porque ontem a sobremesa foi radicamente diferente: maçã.
A atividade da tarde não contribuiu muito. Fizemos um "happy hour" (entre aspas porque foi às duas da tarde) em uma padaria. Eu preferia ter ficado na clínica e feito TO (pintura, artesanato...) tranquila, mas os pacientes mais antigos se sentem muito presos. Então, uma vez por mês, há essa saída para a padaria. Foi bom para conversar, mas nosso assunto sempre gira em torno de nossas doenças. Porém, é sempre importante saber mais sobre os problemas dos colegas pois há muita coisa em comum entre nós.
