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quinta-feira, 31 de outubro de 2019

31/10/2019 - Dia 16

Pela manhã, uma turma saiu para caminhar, e a nossa ficou assistindo "Pequena Miss Sunshine":


O filme é muito rico em termos psicológicos. Há o pai controlador, o avô desajustado, o tio suicida, o filho adolescente caladão... E também a mãe, que faz o contraponto e é a pessoa mais sensata da família, e a filha, criança adorável, amada por todos e com ótima autoestima. Daria uma discussão e tanto, mas infelizmente não tivemos muito tempo para conversar, pois o longa acabou perto do horário do almoço.

O intervalo hoje foi bem agitado; várias pessoas se arrumando para a festa de Halloween. Foi engraçado, pois alguém levou uma tinta especial vermelha que imitava sangue e que incrementou bastante a maquiagem. Até eu entrei na brincadeira: me vesti com uma capa cheia de desenhos de teia de aranha, uma peruca preta com franja e uma tiara com um chapeuzinho na ponta e tranças laranja nas laterais. Pedi a uma colega que me maquiasse e ela colocou o "sangue" em meu rosto, e também pintou meus olhos de preto; quando saí para o pátio, algumas pessoas não me reconheceram! Foi muito divertido.

A festa começou com o grupo de dança, que apresentou a coreografia do "Thriller". Depois teve videokê!! Aproveitei para cantar... Nossa, há quanto tempo não fazia isso... Adorei. E o mais legal foi ver pessoas que são muito quietas, que não participam de nada, se inscrevendo e cantando! E não é fácil se expor em um karaokê; fiquei super feliz de ver esses colegas tomando parte nessa atividade tão especial.

Mais tarde comemos - a mesa estava repleta de guloseimas, doces e salgadas. E, logo, já estava na hora da saída. Foi um dia muito bacana.




quinta-feira, 24 de outubro de 2019

24/10/2019 - Dia 11


Hoje assistimos ao filme Vida de Menina:


(Aqui é só uma imagem, não é o filme)

É sobre uma mineira de ascendência inglesa, Helena Morley, filha de um minerador de diamantes na época em que as lavras (córregos em que as pedras eram procuradas) estavam escassas. A moça desafiava os costumes da sociedade à época, não era "bem comportada", "recatada", etc. Gostei muito do filme, mas infelizmente houve um atraso no início e não tivemos tempo para realizar a discussão.

No horário do almoço, fiquei na frente de uma colega que nos contou que havia sofrido um acidente de trabalho, cortado um dedo de forma muito profunda, e que sua empresa lhe negara socorro. Ela foi ao hospital com a enfermeira de uma outra empresa, sofrendo de dor. Perdeu muito sangue, precisou de pontos e antibiótico; como a faca havia atingido os nervos, ela perdeu a sensibilidade na ponta do indicador. Precisou ficar bastante tempo afastada, utilizando o INSS e então caiu em depressão; a partir daí, o INSS passou a negar-lhe o benefício, alegando que "depressão não era doença, era frescura". Ela entrou com uma ação contra a instituição e está aguardando o desenrolar. Infelizmente é muito comum o órgão conceder o benefício por um tempo, mas não renová-lo depois, em casos de depressão e outras doenças mentais. Só quem tem problemas assim, ou está próximo de quem os tenha, pode dizer o quanto é sofrido o transtorno em si, o estigma e o fato de que não existem exames de laboratório ou de imagem que possam comprová-lo. Se você quebra o pé, o raio-X vai se encarregar de provar a todos que sim, você tem uma enfermidade que lhe impede de trabalhar; entretanto, se tiver síndrome do pânico, somente o exame clínico (uma conversa com o psiquiatra) não vai ser suficiente para aplacar a desconfiança daqueles que sofrem de uma outra doença: o preconceito.

Depois do intervalo, finalizamos rapidamente a confecção da decoração de Halloween e já fomos em seguida pendurar nossos fantasminhas, morceguinhos, abóboras e correntes de papel crepom pelo pátio. Ficou muito bonito. O vento estava batendo e os morcegos começaram a balançar, parecia que estavam voando mesmo. O Dia das Bruxas pode ser uma celebração importada, mas festa é festa, e um ambiente decorado fica sempre mais alegre e até divertido.