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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

24/10/2019 - Dia 11


Hoje assistimos ao filme Vida de Menina:


(Aqui é só uma imagem, não é o filme)

É sobre uma mineira de ascendência inglesa, Helena Morley, filha de um minerador de diamantes na época em que as lavras (córregos em que as pedras eram procuradas) estavam escassas. A moça desafiava os costumes da sociedade à época, não era "bem comportada", "recatada", etc. Gostei muito do filme, mas infelizmente houve um atraso no início e não tivemos tempo para realizar a discussão.

No horário do almoço, fiquei na frente de uma colega que nos contou que havia sofrido um acidente de trabalho, cortado um dedo de forma muito profunda, e que sua empresa lhe negara socorro. Ela foi ao hospital com a enfermeira de uma outra empresa, sofrendo de dor. Perdeu muito sangue, precisou de pontos e antibiótico; como a faca havia atingido os nervos, ela perdeu a sensibilidade na ponta do indicador. Precisou ficar bastante tempo afastada, utilizando o INSS e então caiu em depressão; a partir daí, o INSS passou a negar-lhe o benefício, alegando que "depressão não era doença, era frescura". Ela entrou com uma ação contra a instituição e está aguardando o desenrolar. Infelizmente é muito comum o órgão conceder o benefício por um tempo, mas não renová-lo depois, em casos de depressão e outras doenças mentais. Só quem tem problemas assim, ou está próximo de quem os tenha, pode dizer o quanto é sofrido o transtorno em si, o estigma e o fato de que não existem exames de laboratório ou de imagem que possam comprová-lo. Se você quebra o pé, o raio-X vai se encarregar de provar a todos que sim, você tem uma enfermidade que lhe impede de trabalhar; entretanto, se tiver síndrome do pânico, somente o exame clínico (uma conversa com o psiquiatra) não vai ser suficiente para aplacar a desconfiança daqueles que sofrem de uma outra doença: o preconceito.

Depois do intervalo, finalizamos rapidamente a confecção da decoração de Halloween e já fomos em seguida pendurar nossos fantasminhas, morceguinhos, abóboras e correntes de papel crepom pelo pátio. Ficou muito bonito. O vento estava batendo e os morcegos começaram a balançar, parecia que estavam voando mesmo. O Dia das Bruxas pode ser uma celebração importada, mas festa é festa, e um ambiente decorado fica sempre mais alegre e até divertido.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

22/10/2019 - Dia 9

Pela manhã, discutimos o curta-metragem "Engano":


O filme fala sobre encontros e desencontros, e gerou uma conversa emocionante. A que mais me marcou foi a de uma moça que, todos os dias, ao ir para a escola, passava por um traficante. Ele se achava o tal, e ela não podia nem vê-lo na frente. Um dia, encontrou-o em uma balada e ele lhe ofereceu uma garrafa de vinho, que ela, obviamente, recusou. Um tempo depois, foi a outra balada, e ele estava com outra pessoa; ela então sentiu ciúmes dele. Passaram a namorar, mas ela impôs uma condição a ele: se quiser ficar comigo e constituir uma família, vai ter de largar o tráfico. Ele pediu a ela uma semana, para acertar tudo e, cinco dias depois, largou a vida de bandido, arrumou um emprego e nunca mais traficou. Mudou por ela, por amor a ela. Foi uma história linda de se ouvir e eu, para variar, chorei.

Após o almoço, tive minha consulta semanal. Foi muito boa, recebi os parabéns por estar participando de tudo, estar melhorando meu estado. Fiquei feliz. Ele manteve a medicação, mas suspendeu o desmame do Latuda; quando eu disse que o medicamento me deixava muito ansiosa e agitada ele falou para eu parar de toma-lo imediatamente. 

À tarde continuei meu cachecol no tear; ou melhor, comecei de novo. Estava cheio de defeitos que me incomodavam, e como ainda estava no começo, tinha apenas uns 7cm, resolvi desmanchar tudo e recomeçar. Meus colegas disseram que eu corajosa de fazer isso, mas que era como na vida, em que você às vezes precisar dar um passo para trás para poder continuar caminhando para a frente. Eu concordei: ultimamente minha vida tem sido dar muitos passos para trás para poder então melhorar e evoluir. Há muito sofrimento nisso, mas creio que sofrer é sinônimo de se fortalecer; só que o sofrimento demora a passar, e o fortalecimentos anda a passos de tartaruga. Mas tenho fé e creio que vou sair dessa; só não sei quando.



segunda-feira, 21 de outubro de 2019

21/10/2019 - Dia 8

Hoje de manhã, não fui à clínica; era dia de perícia no INSS. Representantes de advogados na entrada do prédio; filas, apesar do horário estar marcado - muita gente requerendo o benefício; seguranças que não levam desaforo para casa; cidadãos inconformados lutando por seus direitos; muletas, cadeiras de rodas, bengalas.

Estava receosa em ser atendida por algum médico seco e desconfiado, ainda mais que não existe exame de imagem, sangue, etc. que comprove a doença. O diagnóstico é apenas clínico, e o perito, com o relatório em mãos, tem que acreditar no colega que o emitiu e na pessoa que está enferma. Graças a Deus, fui atendida por uma médica muito gentil, que se solidarizou com meu problema e me concedeu o benefício.

Cheguei ao HD a tempo de almoçar. Notei que algumas pessoas faltaram... Engraçado como a gente se apega e sente falta das pessoas.

Segunda é dia de atelier na TO. Optei pelo tear, que eu nunca tinha usado; quem me ensinou a manejar a tábua retangular vazada no meio e cravejada com duas fileiras paralelas de pregos foi meu amigo escritor! Pacientemente, foi me mostrando como passar a lã pelos pregos, para depois retirar o ponto com uma agulha própria ou de crochê. É bem gostoso e calmante tecer; estou fazendo um cachecol verde mescla, mas acho que amanhã vou desmanchar tudo e começar de novo... É que, como boa marinheira de primeira viagem, pulei alguns pontos, deu nó na linha e estão bem claros os defeitos... Mas tudo bem, porque o objetivo da atividade é terapêutico, não artístico!