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quinta-feira, 28 de novembro de 2019

28/11/2019 - Dia 27

De manhã, assistimos ao documentário "Tarja Branca":


O filme fala sobre o brincar, sobre o quanto os adultos se esqueceram de sua criança interior e se levam a sério demais, sobre como é importante permanecer com o espírito da brincadeira até mesmo no trabalho. A tal "Tarja Branca" se refere ao brincar, e seria uma alusão à cor da faixa que define um medicamento e, sendo branca (não vermelha e muito menos preta), não apresenta contraindicações; pelo contrário, faz bem à saúde.

Percebi que muitas pessoas não gostaram do documentário. Creio que seja porque havia muitos depoimentos e reflexões entremeados por músicas regionais. Ao final, fizemos uma dinâmica em que tínhamos que definir, em uma palavra, nosso sentimento com relação ao filme e duas palavras que saíram foram "chato" e "incompreensível". Eu achei um pouco arrastado em algumas partes, mas me identifiquei demais em outras, principalmente quando disseram que você tem que fazer o que gosta em sua profissão; é necessário, pois assim você trabalha "brincando" e é mais feliz.

No intervalo, claro, conversamos sobre INSS, perícia e remédios. Aí fomos ler a bula de um medicamento que só um dos colegas usa, aparentemente, pois ninguém mais conhecia; um remédio contra a narcolepsia ou sonolência excessiva. Havia tantos, mas tantos possíveis efeitos colaterais que o pessoal começou a brincar dizendo que a medicação tirava o sono porque o paciente ficava com medo do que lia na bula e não conseguia dormir.

À tarde foi dia de celebração dos aniversariantes do mês, e teve videokê novamente. Aí, chamei meu colega escritor, que tem a voz grave, para cantar "Não Se Vá", da Jane e Herondy comigo, em um dueto. Ah, ele mergulhou fundo na música, foi muito divertido.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

25/10/2019 - Dia 12

Como de costume, às sextas, ocorre o "Fechamento". Todos contam como foi sua semana, mas também acabam desabafando muitas coisas, problemas invariavelmente vinculados, direta ou indiretamente, à doença. Emoções à flor da pele são muito frequentes nesses momentos, mas o bom é que ninguém julga quem chora; pelo contrário: alguém sempre se levanta para pegar alguns lenços de papel e entregar a quem está falando. A psicóloga nos disse hoje que é importantíssimo, durante a terapia em grupo, falar bastante e colocar tudo para fora; essa atitude não vai resolver o problema, mas vai amenizar a intensidade com a qual ele está sendo vivenciado, vai deixar a pessoa mais leve.

Em um dos depoimentos, o INSS foi citado novamente. Uma das colegas está com depressão, teve um membro da família assassinado e está com questões familiares, mas, mesmo assim, teve o benefício negado. Na verdade, o médico perito nem deu chance para que ela colocasse seus problemas; ele perguntou apenas "Sua medicação não está fazendo efeito??", permaneceu digitando algo no computador e a dispensou, com menos de um minuto de consulta. O jeito como alguns médicos tratam pessoas com problemas mentais é absurdo, deveriam ter o diploma cassado por perjúrio às palavras de Hipócrates. Hoje em dia, na formatura, os médicos não utilizam mais o texto original do pai da medicina, pois o texto foi atualizado para o vocabulário e realidade atual. Em Portugal, foi adotado o seguinte (destaquei algumas palavras que guardam relação com a situação da colega):

"Compromisso do Médico
Como membro da profissão médica:
– PROMETO SOLENEMENTE consagrar a minha vida ao serviço da humanidade;
– A SAÚDE E O BEM-ESTAR DO MEU DOENTE serão as minhas primeiras preocupações;
– RESPEITAREI a autonomia e a dignidade do meu doente;
– GUARDAREI o máximo respeito pela vida humana;
– NÃO PERMITIREI que considerações sobre idade, doença ou deficiência, crença religiosa, origem étnica, sexo, nacionalidade, filiação política, raça, orientação sexual, estatuto social ou qualquer outro fator se interponham entre o meu dever e o meu doente;
– RESPEITAREI os segredos que me forem confiados, mesmo após a morte do doente;
– EXERCEREI a minha profissão com consciência e dignidade e de acordo com as boas práticas médicas;
– FOMENTAREI a honra e as nobres tradições da profissão médica;
– GUARDAREI respeito e gratidão aos meus mestres, colegas e alunos pelo que lhes é devido;
– PARTILHAREI os meus conhecimentos médicos em benefício dos doentes e da melhoria dos cuidados de saúde;
– CUIDAREI da minha saúde, bem-estar e capacidades para prestar cuidados da maior qualidade;
– NÃO USAREI os meus conhecimentos médicos para violar direitos humanos e liberdades civis, mesmo sob ameaça;
FAÇO ESTAS PROMESSAS solenemente, livremente e sob palavra de honra"

Eu fico me perguntando se os peritos do INSS se lembram, mesmo que vagamente, do conteúdo daquilo que prometeram ao receberem seus diplomas. Mesmo que não se lembrem, respeito é algo que todo mundo deve mostrar por qualquer pessoa...

À tarde assistimos a um filme já antigo: "Querida, Encolhi as Crianças!!" de 1989. Às sextas é dia de atividade lúdica, mas eu, sinceramente, prefiro jogar como na semana passada. A interação é muito maior...

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

21/10/2019 - Dia 8

Hoje de manhã, não fui à clínica; era dia de perícia no INSS. Representantes de advogados na entrada do prédio; filas, apesar do horário estar marcado - muita gente requerendo o benefício; seguranças que não levam desaforo para casa; cidadãos inconformados lutando por seus direitos; muletas, cadeiras de rodas, bengalas.

Estava receosa em ser atendida por algum médico seco e desconfiado, ainda mais que não existe exame de imagem, sangue, etc. que comprove a doença. O diagnóstico é apenas clínico, e o perito, com o relatório em mãos, tem que acreditar no colega que o emitiu e na pessoa que está enferma. Graças a Deus, fui atendida por uma médica muito gentil, que se solidarizou com meu problema e me concedeu o benefício.

Cheguei ao HD a tempo de almoçar. Notei que algumas pessoas faltaram... Engraçado como a gente se apega e sente falta das pessoas.

Segunda é dia de atelier na TO. Optei pelo tear, que eu nunca tinha usado; quem me ensinou a manejar a tábua retangular vazada no meio e cravejada com duas fileiras paralelas de pregos foi meu amigo escritor! Pacientemente, foi me mostrando como passar a lã pelos pregos, para depois retirar o ponto com uma agulha própria ou de crochê. É bem gostoso e calmante tecer; estou fazendo um cachecol verde mescla, mas acho que amanhã vou desmanchar tudo e começar de novo... É que, como boa marinheira de primeira viagem, pulei alguns pontos, deu nó na linha e estão bem claros os defeitos... Mas tudo bem, porque o objetivo da atividade é terapêutico, não artístico!