No "Fechamento" de hoje, tivemos, como sempre, momentos de emoção. Temos uma nova colega, que está bem mal; ela tem quatro filhos, entre ele um bebezinho, e não está conseguindo fazer as coisas em casa, assim como muitos outros pacientes. E as filhas mais velhas, já adolescentes, é quem estão fazendo as tarefas, cozinhando, arrumando, cuidando dos irmãos menores; nossa colega está se sentindo muito mal com isso, ela não quer essa vida para as filhas. Além de tudo, uma das meninas disse para ela algo como "Por quê você está aqui em casa, se não faz nada??" Nossa, eu imagino como isso deve ter doído... Ninguém fica doente porque quer... Tentamos consolar nossas colega, dizendo que os filhos são assim, não cuidam dos pais como os pais cuidam deles, e que adolescentes são cruéis no jeito de falar, mas que no fundo as filhas devem estar sofrendo muito com a doença dela. Mas é muito difícil... A doença não é só do paciente, atinge também sua família e isso deixa quem está doente pior ainda, por se ver um fardo para todos, se achar inútil.
O intervalo foi animado, colegas contando suas histórias de antes da internação, seus trabalhos, sua vida. E depois as internações em regime fechado e o progresso para o HD. Disseram que nossa clínica era diferente antes, ficava em outro local, mais espaçoso, onde era possível até jogar vôlei; havia também mais professores de educação física e psicólogos, e as pessoas que hoje ficam em um canto, sem tomar parte de nada, participavam de tudo naquela época. Era tudo mais bonito e organizado, e até a comida era melhor. É... Contenção de despesas, crise. Afetou a todos.
A atividade da tarde foi um jogo de adivinhar charadas, e depois brincamos de "Stop". Uma coisa legal foi ver as TOs ajudarem os que têm mais dificuldade a escrever durante o Stop; dessa forma, puderam realmente participar, não ficaram à margem. Muito bom.
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domingo, 1 de dezembro de 2019
terça-feira, 26 de novembro de 2019
26/11/2019 - Dia 25
Hoje tivemos a "Oficina de Comunicação" e confeccionamos a nova edição da HD Mix. Porém, tive que sair no meio da atividade porque era dia de consulta com o psiquiatra.
Foi uma boa consulta. Falei do problema digestivo e do meu fim de semana, disse que havia participado de um evento de meditação no sábado que tinha sido ótimo (ele dá muito apoio a terapias alternativas, diz que cada coisa tem seu papel e que precisamos de tudo para sermos completos), mas que eu não havia aproveitado 100% porque estava um pouquinho triste. Mesmo assim, ele viu que estou tendo progressos e estou mais estável e então ele me concedeu... Redução!! Agora, não precisarei mais ir à clínica às segundas-feiras (eu escolhi o dia)! Fiquei feliz, não porque não preciso mais ir nesse dia, mas pelo reconhecimento da melhora.
No intervalo do almoço, nos reunimos no pátio para conversar, várias pessoas. Uma colega começou a nos contar sobre o estopim para sua doença: como muitos de nós, havia sido o trabalho. Ela trabalhava em uma empresa onde era obrigada a fazer diversas tarefas que não tinham na a ver com a função para a qual fora contratada, algumas até de certo risco, como levar ou trazer grandes quantias de dinheiro do banco pela rua. Um dia, seu chefe foi comer um pão francês, mas todos haviam se acabado, e por isso ele se levantou contra ela (obviamente a responsável por comprar o pão também) que sofreu uma grande humilhação e injustiça de uma pessoa autoritária, que se impunha de forma ostensiva e tirava proveito de sua condição de pobreza.
Infelizmente, relatos como esse não são incomuns. Não importa o tipo de trabalho, o salário ou o local, pessoas são humilhadas, maltratadas, agredidas verbalmente. E, muitas vezes, isso acarreta enfermidades físicas e, o que é pior em minha opinião, doenças emocionais/psicológicas/psiquiátricas. Digo "pior", porque esses problemas não são diagnosticáveis via exames de laboratórios, em geral são muito mais difíceis de serem tratados e curados do que os físicos e seu portador ainda carrega um estigma que provavelmente irá prejudicar sua carreira e vida profissional para sempre.
Foi uma boa consulta. Falei do problema digestivo e do meu fim de semana, disse que havia participado de um evento de meditação no sábado que tinha sido ótimo (ele dá muito apoio a terapias alternativas, diz que cada coisa tem seu papel e que precisamos de tudo para sermos completos), mas que eu não havia aproveitado 100% porque estava um pouquinho triste. Mesmo assim, ele viu que estou tendo progressos e estou mais estável e então ele me concedeu... Redução!! Agora, não precisarei mais ir à clínica às segundas-feiras (eu escolhi o dia)! Fiquei feliz, não porque não preciso mais ir nesse dia, mas pelo reconhecimento da melhora.
No intervalo do almoço, nos reunimos no pátio para conversar, várias pessoas. Uma colega começou a nos contar sobre o estopim para sua doença: como muitos de nós, havia sido o trabalho. Ela trabalhava em uma empresa onde era obrigada a fazer diversas tarefas que não tinham na a ver com a função para a qual fora contratada, algumas até de certo risco, como levar ou trazer grandes quantias de dinheiro do banco pela rua. Um dia, seu chefe foi comer um pão francês, mas todos haviam se acabado, e por isso ele se levantou contra ela (obviamente a responsável por comprar o pão também) que sofreu uma grande humilhação e injustiça de uma pessoa autoritária, que se impunha de forma ostensiva e tirava proveito de sua condição de pobreza.
Infelizmente, relatos como esse não são incomuns. Não importa o tipo de trabalho, o salário ou o local, pessoas são humilhadas, maltratadas, agredidas verbalmente. E, muitas vezes, isso acarreta enfermidades físicas e, o que é pior em minha opinião, doenças emocionais/psicológicas/psiquiátricas. Digo "pior", porque esses problemas não são diagnosticáveis via exames de laboratórios, em geral são muito mais difíceis de serem tratados e curados do que os físicos e seu portador ainda carrega um estigma que provavelmente irá prejudicar sua carreira e vida profissional para sempre.
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