Hoje de manhã, me atrasei. O carro ficou sem gasolina, precisei desviar do caminho para passar no posto e depois peguei muito trânsito. Quando cheguei ao hospital, estava acontecendo um amigo secreto ladrão; os membros do grupo de teatro haviam combinado de trocar presentes (chocolates), mas aí o grupo da terapia se juntou a ele e as pessoas improvisaram presentes. Virou um amigo secreto de chocolates/amigo da onça/amigo ladrão. Como cheguei tarde, não participei. E a atividade foi acontecendo, até que alguém ganhou de presente um carregador portátil de celular; ele prontamente foi "roubado" por uma moça muito nova, que havia tentado o suicídio no dia anterior e passado a noite toda na UTI. Além disso, era aniversário dela. Entretanto, o professor de teatro, ao chegar sua vez, "roubou" o carregador dela. Eu achei muita falta de sensibilidade, mas não podia fazer nada, pois não estava participando. Porém, quando iam encerrar a brincadeira, vimos que havia sobrado um pacote na mesa; então, sugeriram que eu ficasse com ele, e entrasse no amigo ladrão. Quando abri o embrulho, era um botão; fui então até o professor e disse a ele que queria roubar-lhe o carregador portátil, mas ele disse "não, de jeito nenhum. Você tem chance zero de tirar isso de mim. Você não está participando, nem tem sequer um número." Insisti, mas não teve como. Foi um pouco humilhante, e foi a primeira vez nesses meses que passei por uma situação constrangedora no HD.
Um pouco depois, encontrei o professor no pátio, e ele me deu um sorrisinho. Fui falar com ele, e o diálogo foi assim:
- Olha só, você me fez passar a maior vergonha na frente de todo mundo.
- Mas por quê??
- Porque eu já tenho um carregador, melhor do que esse aí, mas queria roubá-lo para devolvê-lo à menina de que você o tirou. A moça está mal, toda cortada, e ainda por cima é aniversário dela hoje, e mesmo assim você teve coragem de roubar o presente dela??
- Mas você não estava participando! Não estava no jogo.
- Sim, eu estava. Eu fui colocada no jogo quando viram que havia sobrado um pacote. Por isso, eu passei a participar sim.
E, em seguida, saí. Achei a atitude desse profissional extremamente mesquinha e imatura, e eu não podia deixar de falar o que falei.
Durante a TO, tentei mais uma forma de fazer o boneco de barbante. Não deu certo. Tentei de papel machê, e só amanhã vou ver se vai dar certo.
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
11/12/2019 - Dia 33
De manhã, lemos fragmentos de textos sobre liberdade e autoconhecimento, escrevemos nossas impressões aplicando-as à nossa própria história de vida e conversamos. Creio que o aspecto mais forte da discussão foi a opinião de várias pessoas sobre autoconhecimento: elas disseram que não se conhecem tão bem assim, pois adoeceram de uma forma que jamais imaginavam, têm crises que não conseguem controlar e não possuem autonomia para tomarem suas próprias decisões. Perderam sua liberdade, não se reconhecem mais.
Uma moça recém chegada participou do grupo. Ela nos contou um pouco de sua história: esteve de hospital em hospital este ano inteiro, e passou sete meses em regime fechado. Está desiludida, disse que perdeu a autonomia sobre sua vida, que a família toma todas as decisões por ela; também está revoltada, pois tomou eletrochoques nesse período. Não acredita em nada, "largou mão" de si mesma; o problema é que ela tem apenas 25 anos.
Quando a gente se depara com uma história assim, tem muita vontade de conversar com a pessoa, mostrar que ainda há esperança, há caminhos. Que a internação, principalmente em um hospital dia, não é um instrumento de punição, mas sim de auxílio, de cuidado. No entanto, às vezes, pessoas muito jovens não acreditam em nada disso... Têm muita firmeza em suas opiniões e são resistentes a pensar de outra forma; por isso, não adianta dizer muita coisa... O que podemos fazer é ser solidários, acolher à medida em que sentimos necessidade e abertura do colega; é o que há de melhor a ser feito.
À tarde, fizemos nosso Amigo Secreto. Sorteamos os nomes na hora, e cada um presentearia seu amigo com a lembrancinha feita nas sessões de TO. Nossa, foi muito legal. Eu sempre me preocupo com Amigos Secretos, porque a pessoa que nos tira precisa nos descrever para que os outros adivinhem quem é, e fico com medo de usarem meu pior atributo físico como descrição de mim. No entanto, isso não aconteceu em absoluto! Todos usaram palavras carinhosas e de estímulo para descreverem seus Amigos. Por exemplo, um paciente disse sobre uma colega: "Minha Amiga Secreta é uma pessoa muito expansiva, está sempre conversando e ajudando os outros. Ela tem uma preocupação muito específica que está lhe prejudicando no momento, mas eu tenho certeza de que logo vai sair dessa, porque a vida tem muito a oferecer a ela." Foi tão lindo, a gente chorou até. E a maioria das descrições foi por essa linha; o clima foi de muita paz, acho que foi o melhor Amigo Secreto do qual já participei. Isso nos faz constatar o quanto o que se vai ganhar não é importante; ouvir as palavras de carinho que foram usadas para nos descrever foi o melhor presente.
Uma moça recém chegada participou do grupo. Ela nos contou um pouco de sua história: esteve de hospital em hospital este ano inteiro, e passou sete meses em regime fechado. Está desiludida, disse que perdeu a autonomia sobre sua vida, que a família toma todas as decisões por ela; também está revoltada, pois tomou eletrochoques nesse período. Não acredita em nada, "largou mão" de si mesma; o problema é que ela tem apenas 25 anos.
Quando a gente se depara com uma história assim, tem muita vontade de conversar com a pessoa, mostrar que ainda há esperança, há caminhos. Que a internação, principalmente em um hospital dia, não é um instrumento de punição, mas sim de auxílio, de cuidado. No entanto, às vezes, pessoas muito jovens não acreditam em nada disso... Têm muita firmeza em suas opiniões e são resistentes a pensar de outra forma; por isso, não adianta dizer muita coisa... O que podemos fazer é ser solidários, acolher à medida em que sentimos necessidade e abertura do colega; é o que há de melhor a ser feito.
À tarde, fizemos nosso Amigo Secreto. Sorteamos os nomes na hora, e cada um presentearia seu amigo com a lembrancinha feita nas sessões de TO. Nossa, foi muito legal. Eu sempre me preocupo com Amigos Secretos, porque a pessoa que nos tira precisa nos descrever para que os outros adivinhem quem é, e fico com medo de usarem meu pior atributo físico como descrição de mim. No entanto, isso não aconteceu em absoluto! Todos usaram palavras carinhosas e de estímulo para descreverem seus Amigos. Por exemplo, um paciente disse sobre uma colega: "Minha Amiga Secreta é uma pessoa muito expansiva, está sempre conversando e ajudando os outros. Ela tem uma preocupação muito específica que está lhe prejudicando no momento, mas eu tenho certeza de que logo vai sair dessa, porque a vida tem muito a oferecer a ela." Foi tão lindo, a gente chorou até. E a maioria das descrições foi por essa linha; o clima foi de muita paz, acho que foi o melhor Amigo Secreto do qual já participei. Isso nos faz constatar o quanto o que se vai ganhar não é importante; ouvir as palavras de carinho que foram usadas para nos descrever foi o melhor presente.
10/12/2019 - Dia 32
Na Oficina de Comunicação de hoje fizemos uma atividade diferente. A psicóloga nos apresentou cinco desenhos com situações distintas envolvendo o Papai Noel; tínhamos que escolher uma das imagens e escrever uma história utilizando seus elementos e os aplicando à nossa vida, e à forma como vemos o Natal. Foi interessante ver como cada pessoa encara as festas: alguns gostariam de fechar os olhos e acordar só em 3 de janeiro. Uns estão pesarosos pois não poderão se reunir com a família toda por doença ou algum problema pessoal; outros estão felizes justamente porque não têm quase ninguém com quem se reunir e assim ficarão mais sossegados. Uns estão mais animados neste ano do que nos anteriores; outros não se animaram nem para enfeitar a casa. É... pessoas diferentes, visões diferentes.
A tarde transcorreu sem novidades. Continuei a fazer uma lembrancinha de amigo secreto que já havia começado semana passada; ficou bonitinha, era uma estrela azul. Logo terminei e dei continuidade ao cachecol no tear. Espero conseguir terminá-lo logo.
A tarde transcorreu sem novidades. Continuei a fazer uma lembrancinha de amigo secreto que já havia começado semana passada; ficou bonitinha, era uma estrela azul. Logo terminei e dei continuidade ao cachecol no tear. Espero conseguir terminá-lo logo.
quinta-feira, 21 de novembro de 2019
21/11/2019 - Dia 22
De manhã assistimos ao filme "Miracle Run - Uma Viagem Inesperada":
É sobre uma mãe solteira de gêmeos fraternos autistas, e sua luta para que tivessem uma vida a mais normal possível. Ela tem muita paciência e sobretudo muito amor, e exerce papel fundamental na rotina dos filhos. Ao término, discutimos o assunto; a conversa foi boa, eu me identifiquei por ter autistas na família.
Senti-me mal hoje. Creio que a comida do hospital não está me fazendo bem, pois desde que entrei no HD tenho problemas de digestão semana sim, semana não. A comida é bem preparada, mas tenho a impressão de que os ingredientes não são de primeira. Não sou a única; uma colega que entrou junto comigo também já ficou doente várias vezes. Acho que vou falar com a equipe de enfermagem, para que investiguem junto à empresa terceirizada que fornece a alimentação.
À tarde, na TO, fizemos lembrancinhas de feltro com motivos natalinos, para serem distribuídas durante a festa de Natal, na brincadeira de Amigo Secreto. Dá um pouquinho de trabalho, mas é gostoso e fica bem bonitinho, especialmente se o feltro é costurado com um tipo de ponto que fica à mostra, que a terapeuta me ensinou a fazer.
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