De manhã, lemos fragmentos de textos sobre liberdade e autoconhecimento, escrevemos nossas impressões aplicando-as à nossa própria história de vida e conversamos. Creio que o aspecto mais forte da discussão foi a opinião de várias pessoas sobre autoconhecimento: elas disseram que não se conhecem tão bem assim, pois adoeceram de uma forma que jamais imaginavam, têm crises que não conseguem controlar e não possuem autonomia para tomarem suas próprias decisões. Perderam sua liberdade, não se reconhecem mais.
Uma moça recém chegada participou do grupo. Ela nos contou um pouco de sua história: esteve de hospital em hospital este ano inteiro, e passou sete meses em regime fechado. Está desiludida, disse que perdeu a autonomia sobre sua vida, que a família toma todas as decisões por ela; também está revoltada, pois tomou eletrochoques nesse período. Não acredita em nada, "largou mão" de si mesma; o problema é que ela tem apenas 25 anos.
Quando a gente se depara com uma história assim, tem muita vontade de conversar com a pessoa, mostrar que ainda há esperança, há caminhos. Que a internação, principalmente em um hospital dia, não é um instrumento de punição, mas sim de auxílio, de cuidado. No entanto, às vezes, pessoas muito jovens não acreditam em nada disso... Têm muita firmeza em suas opiniões e são resistentes a pensar de outra forma; por isso, não adianta dizer muita coisa... O que podemos fazer é ser solidários, acolher à medida em que sentimos necessidade e abertura do colega; é o que há de melhor a ser feito.
À tarde, fizemos nosso Amigo Secreto. Sorteamos os nomes na hora, e cada um presentearia seu amigo com a lembrancinha feita nas sessões de TO. Nossa, foi muito legal. Eu sempre me preocupo com Amigos Secretos, porque a pessoa que nos tira precisa nos descrever para que os outros adivinhem quem é, e fico com medo de usarem meu pior atributo físico como descrição de mim. No entanto, isso não aconteceu em absoluto! Todos usaram palavras carinhosas e de estímulo para descreverem seus Amigos. Por exemplo, um paciente disse sobre uma colega: "Minha Amiga Secreta é uma pessoa muito expansiva, está sempre conversando e ajudando os outros. Ela tem uma preocupação muito específica que está lhe prejudicando no momento, mas eu tenho certeza de que logo vai sair dessa, porque a vida tem muito a oferecer a ela." Foi tão lindo, a gente chorou até. E a maioria das descrições foi por essa linha; o clima foi de muita paz, acho que foi o melhor Amigo Secreto do qual já participei. Isso nos faz constatar o quanto o que se vai ganhar não é importante; ouvir as palavras de carinho que foram usadas para nos descrever foi o melhor presente.
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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
30/10/2019 - Dia 15
De manhã, assistimos a um videozinho bem curto, chamado "Reach - Liberdade Além da Janela":
É a história de um robozinho movido a bateria, que está conectado ao carregador, mas deseja sair pela janela, e ser livre como o pássaro que ele observa pelo lado de dentro do edifício onde se encontra. Trata-se de uma metáfora sobre a busca pela liberdade e os percalços que encontramos na vida para conquistá-la.
Foi interessante observar como cada pessoa interpreta o vídeo de um jeito diferente. Para mim, a falta de liberdade é a depressão; para outro, ficar preso é ser dependente de medicamentos; e um outro acredita que não ser livre é se sentir obrigado a estar conectado o tempo todo a dispositivos tecnológicos e redes sociais. Foi uma conversa bem produtiva, bem conduzida pela psicóloga.
Enquanto isso, outro grupo foi para a atividade de teatro, coordenada por um professor da área. Muitos pacientes preferem o teatro, acho que deve ser bem divertido; eu sempre opto pelas terapias em grupo, creio que surtam um efeito mais rápido, mais direto. Mas isso é uma escolha totalmente individual, pois vejo que pacientes que são quietos e um pouco isolados gostam do teatro, e com certeza isso faz bem a eles, e lhes dá a chance de se expressarem de um modo ao qual talvez não tivessem acesso se não estivessem no HD.
À tarde, para encerrarmos a campanha de conscientização "Outubro Rosa", tivemos uma tarde de beleza (só as mulheres. Os homens ficaram jogando dominó.). Levamos argila para tratar a pele do rosto, maquiagens, cremes e esmaltes. Foi engraçado, ficamos todas com cara de fantasma, mas foi muito bom! A argila branca de fato trata a pele, ativa a circulação, elimina parte da oleosidade e tira manchas (isso com o uso mais prolongado). Também conversamos bastante, contamos histórias e comemos pipoca.
Nossa psicóloga que recentemente voltou de licença (conforme contei em 28/10/2019), foi afastada novamente, por 14 dias; não sabemos o motivo, mas acreditamos que seja pelos fatos que ocorreram no "Dia 13". Fiquei chateada, pois ela é uma ótima profissional, super lúcida, fala com muita clareza e me parece realmente preocupada com os pacientes. Espero que ela volte forte e restabelecida.
É a história de um robozinho movido a bateria, que está conectado ao carregador, mas deseja sair pela janela, e ser livre como o pássaro que ele observa pelo lado de dentro do edifício onde se encontra. Trata-se de uma metáfora sobre a busca pela liberdade e os percalços que encontramos na vida para conquistá-la.
Foi interessante observar como cada pessoa interpreta o vídeo de um jeito diferente. Para mim, a falta de liberdade é a depressão; para outro, ficar preso é ser dependente de medicamentos; e um outro acredita que não ser livre é se sentir obrigado a estar conectado o tempo todo a dispositivos tecnológicos e redes sociais. Foi uma conversa bem produtiva, bem conduzida pela psicóloga.
Enquanto isso, outro grupo foi para a atividade de teatro, coordenada por um professor da área. Muitos pacientes preferem o teatro, acho que deve ser bem divertido; eu sempre opto pelas terapias em grupo, creio que surtam um efeito mais rápido, mais direto. Mas isso é uma escolha totalmente individual, pois vejo que pacientes que são quietos e um pouco isolados gostam do teatro, e com certeza isso faz bem a eles, e lhes dá a chance de se expressarem de um modo ao qual talvez não tivessem acesso se não estivessem no HD.
À tarde, para encerrarmos a campanha de conscientização "Outubro Rosa", tivemos uma tarde de beleza (só as mulheres. Os homens ficaram jogando dominó.). Levamos argila para tratar a pele do rosto, maquiagens, cremes e esmaltes. Foi engraçado, ficamos todas com cara de fantasma, mas foi muito bom! A argila branca de fato trata a pele, ativa a circulação, elimina parte da oleosidade e tira manchas (isso com o uso mais prolongado). Também conversamos bastante, contamos histórias e comemos pipoca.
Nossa psicóloga que recentemente voltou de licença (conforme contei em 28/10/2019), foi afastada novamente, por 14 dias; não sabemos o motivo, mas acreditamos que seja pelos fatos que ocorreram no "Dia 13". Fiquei chateada, pois ela é uma ótima profissional, super lúcida, fala com muita clareza e me parece realmente preocupada com os pacientes. Espero que ela volte forte e restabelecida.
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