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sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

12/12/2019 - Dia 34

Hoje assistimos a um documentário muito diferente sobre autoestima. Tratava-se da visão de um filósofo do século XVI sobre o assunto:




É muito interessante o filme, porque mesmo para os tempos de hoje, o assunto é moderno e um pouco polêmico; imagine em 1550 e alguma coisa! Acho que ninguém pensava nisso naquela época.

À tarde, iniciamos os trabalhos para a decoração de Natal. Alguns começaram uma lareira e uma chaminé de caixas de papelão, em tamanho quase natural; a mim coube fazer um boneco de neve utilizando bexigas, cola com farinha e barbante:


A colega que sugeriu (e queria muito) que ele fosse feito foi uma pessoa que sofreu demais na vida. Perdeu um filho em um acidente de avião (ele era o copiloto) e ficou sabendo da notícia pela TV; o fato fez com que adoecesse de forma drástica. Ela também foi a pessoa que eu tirei de Amigo Secreto. Quando ela viu que eu havia me empenhado em fazer o boneco, ela me agradeceu muito! Confesso que prefiro fazer outros tipos de trabalhos manuais, como tear, bordado e costura, mas foi muito, muito gratificante ver a gratidão nos olhos dela.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

11/12/2019 - Dia 33

De manhã, lemos fragmentos de textos sobre liberdade e autoconhecimento, escrevemos nossas impressões aplicando-as à nossa própria história de vida e conversamos. Creio que o aspecto mais forte da discussão foi a opinião de várias pessoas sobre autoconhecimento: elas disseram que não se conhecem tão bem assim, pois adoeceram de uma forma que jamais imaginavam, têm crises que não conseguem controlar e não possuem autonomia para tomarem suas próprias decisões. Perderam sua liberdade, não se reconhecem mais.

Uma moça recém chegada participou do grupo. Ela nos contou um pouco de sua história: esteve de hospital em hospital este ano inteiro, e passou sete meses em regime fechado. Está desiludida, disse que perdeu a autonomia sobre sua vida, que a família toma todas as decisões por ela; também está revoltada, pois tomou eletrochoques nesse período. Não acredita em nada, "largou mão" de si mesma; o problema é que ela tem apenas 25 anos.
Quando a gente se depara com uma história assim, tem muita vontade de conversar com a pessoa, mostrar que ainda há esperança, há caminhos. Que a internação, principalmente em um hospital dia, não é um instrumento de punição, mas sim de auxílio, de cuidado. No entanto, às vezes, pessoas muito jovens não acreditam em nada disso... Têm muita firmeza em suas opiniões e são resistentes a pensar de outra forma; por isso, não adianta dizer muita coisa... O que podemos fazer é ser solidários, acolher à medida em que sentimos necessidade e abertura do colega; é o que há de melhor a ser feito.

À tarde, fizemos nosso Amigo Secreto. Sorteamos os nomes na hora, e cada um presentearia seu amigo com a lembrancinha feita nas sessões de TO. Nossa, foi muito legal. Eu sempre me preocupo com Amigos Secretos, porque a pessoa que nos tira precisa nos descrever para que os outros adivinhem quem é, e fico com medo de usarem meu pior atributo físico como descrição de mim. No entanto, isso não aconteceu em absoluto! Todos usaram palavras carinhosas e de estímulo para descreverem seus Amigos. Por exemplo, um paciente disse sobre uma colega: "Minha Amiga Secreta é uma pessoa muito expansiva, está sempre conversando e ajudando os outros. Ela tem uma preocupação muito específica que está lhe prejudicando no momento, mas eu tenho certeza de que logo vai sair dessa, porque a vida tem muito a oferecer a ela." Foi tão lindo, a gente chorou até. E a maioria das descrições foi por essa linha; o clima foi de muita paz, acho que foi o melhor Amigo Secreto do qual já participei. Isso nos faz constatar o quanto o que se vai ganhar não é importante; ouvir as palavras de carinho que foram usadas para nos descrever foi o melhor presente.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

04/11/2019 - Dia 18

Como em todas as segundas, iniciamos o dia com os relatos de nosso fim de semana. Algumas pessoas dizem que está tudo bem, que foi tranquilo; uma outra contou que se superou ao conseguir ligar para uma companhia telefônica e resolver um problema... Eu aprendo muito ao ver o quanto pequenas conquistas significam para alguns pacientes. Outro dia, dois deles relataram estarem muito felizes pois haviam conseguido ir à feira; um deles, com o filho, adulto, com o qual dividiu o clássico pastel com caldo de cana.

Eu não estava muito bem, chorei... Mas recebi a solidariedade e carinho de colegas que normalmente são fechados, que sofrem de problemas sérios, e que dividiram um pouco de sua história comigo para me ajudar a encontrar o meu caminho. Foi muito importante e significou muito para mim.

Durante meu relato, um paciente fez perguntas íntimas, inconvenientes. Nossa... vários colegas e o assistente social vieram em meu socorro, pedindo que o colega não falasse coisas que me constrangessem. Eu fiquei com pena dele até, mas ele realmente foi muito invasivo.

No intervalo, uma das colegas que me ajudou na terapia em grupo cuidou do meu cabelo, penteou, passou óleos hidratantes. Depois me deu um dos óleos! Essa pessoa é muito sofrida, isso não a impediu de desenvolver vários talentos em diversas áreas; ela é extremamente inteligente.

No atelier de hoje, teci só um pouquinho de meu cachecol, pois queria fazer um turbante que outras meninas estavam fazendo. São tiras de tecido que temos que costurar; eu adoro dar pontos, me relaxa. Acho que amanhã mesmo eu consigo terminar e usar.