No Fechamento, aquela colega que abandonou um emprego estável e passa necessidade com três filhos nos contou que o mais velho, usuário de maconha, tivera um surto havia pouco menos de uma semana e havia sido internado. Na última visita, porém, ele pediu desculpas para a mãe, disse que seguiria o tratamento, que queria trabalhar... Fiquei muito feliz com isso, e achamos que a colega estava com um semblante mais aliviado.
Conversamos um pouco sobre a maconha e a falsa impressão que os jovens têm de que essa droga é inofensiva. Eu não acho que seja, pois se ela faz você ter algum tipo de alucinação, não é algo natural. Além disso, para quem já tem doenças psicológicas, essas alucinações podem ser extremamente prejudiciais, e mexerem com problemas com os quais o usuário talvez não esteja em condições de lidar. O assistente social mencionou para nós uma pesquisa feita em hospitais públicos em Portugal, país no qual a maconha não é criminalizada. No estudo, foi verificado que as internações por surto psicótico ligado à Cannabis cresceu 30 vezes em 15 anos. Não há nada de inofensivo naquela plantinha simpática. O link para a pesquisa, publicada na Folha, é A Maconha em Portugal .
À tarde foi um pouco estranho... As TOs haviam programado uma atividade, "Qual é a Música", mas os pacientes não quiseram, pediram um filme. No entanto, a internet não funcionava e não conseguiam acessar a Netflix para buscar algum. Até o técnico chegar e corrigir o problema, faltava menos de uma hora para irmos embora, e então só assistimos a uma parte do primeiro episódio de uma série.
Como vou ter alta semana que vem e muitos colegas saem para o Natal e só voltam depois do Ano Novo, despedi-me de alguns. O mais difícil, para mim, foi dizer "até breve" para um de meus amigos, que é técnico em conserto de elevadores. Foi muito emocionante. Ele é uma pessoa maravilhosa, sensível, com um coração de ouro. Está internado há anos. Merece muito, muito mesmo, sair de lá e voltar à vida real. Torço muito por todas as pessoas, mas por ele em especial, pois eu percebo que ele ama a vida, tem planos e um potencial muito grande.
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
04/11/2019 - Dia 18
Como em todas as segundas, iniciamos o dia com os relatos de nosso fim de semana. Algumas pessoas dizem que está tudo bem, que foi tranquilo; uma outra contou que se superou ao conseguir ligar para uma companhia telefônica e resolver um problema... Eu aprendo muito ao ver o quanto pequenas conquistas significam para alguns pacientes. Outro dia, dois deles relataram estarem muito felizes pois haviam conseguido ir à feira; um deles, com o filho, adulto, com o qual dividiu o clássico pastel com caldo de cana.
Eu não estava muito bem, chorei... Mas recebi a solidariedade e carinho de colegas que normalmente são fechados, que sofrem de problemas sérios, e que dividiram um pouco de sua história comigo para me ajudar a encontrar o meu caminho. Foi muito importante e significou muito para mim.
Durante meu relato, um paciente fez perguntas íntimas, inconvenientes. Nossa... vários colegas e o assistente social vieram em meu socorro, pedindo que o colega não falasse coisas que me constrangessem. Eu fiquei com pena dele até, mas ele realmente foi muito invasivo.
No intervalo, uma das colegas que me ajudou na terapia em grupo cuidou do meu cabelo, penteou, passou óleos hidratantes. Depois me deu um dos óleos! Essa pessoa é muito sofrida, isso não a impediu de desenvolver vários talentos em diversas áreas; ela é extremamente inteligente.
No atelier de hoje, teci só um pouquinho de meu cachecol, pois queria fazer um turbante que outras meninas estavam fazendo. São tiras de tecido que temos que costurar; eu adoro dar pontos, me relaxa. Acho que amanhã mesmo eu consigo terminar e usar.
Eu não estava muito bem, chorei... Mas recebi a solidariedade e carinho de colegas que normalmente são fechados, que sofrem de problemas sérios, e que dividiram um pouco de sua história comigo para me ajudar a encontrar o meu caminho. Foi muito importante e significou muito para mim.
Durante meu relato, um paciente fez perguntas íntimas, inconvenientes. Nossa... vários colegas e o assistente social vieram em meu socorro, pedindo que o colega não falasse coisas que me constrangessem. Eu fiquei com pena dele até, mas ele realmente foi muito invasivo.
No intervalo, uma das colegas que me ajudou na terapia em grupo cuidou do meu cabelo, penteou, passou óleos hidratantes. Depois me deu um dos óleos! Essa pessoa é muito sofrida, isso não a impediu de desenvolver vários talentos em diversas áreas; ela é extremamente inteligente.
No atelier de hoje, teci só um pouquinho de meu cachecol, pois queria fazer um turbante que outras meninas estavam fazendo. São tiras de tecido que temos que costurar; eu adoro dar pontos, me relaxa. Acho que amanhã mesmo eu consigo terminar e usar.
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