Hoje foi um dia estranho, hospital quase vazio... Peguei um filme começado, cujo nome nem fiquei sabendo. Depois cada um falou sobre como havia sido seu Natal. Vários tiveram um dia triste, com lágrimas e angústia; outros disseram que havia sido ok, ou melhor do que haviam esperado. Mesmo que achemos que estamos prontos para encarar a data, o Natal é um dia que traz muitas emoções e nos surpreendemos quando essas vem à tona, com força total.
Não tive apetite para almoçar muito bem. No intervalo fiquei conversando com um amigo, a maior parte do tempo sobre amenidades, e a hora passou bem rápido. As enfermeiras, após o intervalo, me entregaram a carta de alta.
As TOs se juntaram com o professor de música. A atividade era continuar cantando a letra após o volume da canção ser diminuído. Eu ia continuar meu cachecol, mas acabei ganhando uma sessão de terapia particular, ao ficar mais de uma hora na sala do atelier conversando com minha TO. Foi bom, desabafei muitas coisas, ela me ajudou bastante.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2019
segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
20/12/2019 - Dia 39
No Fechamento, aquela colega que abandonou um emprego estável e passa necessidade com três filhos nos contou que o mais velho, usuário de maconha, tivera um surto havia pouco menos de uma semana e havia sido internado. Na última visita, porém, ele pediu desculpas para a mãe, disse que seguiria o tratamento, que queria trabalhar... Fiquei muito feliz com isso, e achamos que a colega estava com um semblante mais aliviado.
Conversamos um pouco sobre a maconha e a falsa impressão que os jovens têm de que essa droga é inofensiva. Eu não acho que seja, pois se ela faz você ter algum tipo de alucinação, não é algo natural. Além disso, para quem já tem doenças psicológicas, essas alucinações podem ser extremamente prejudiciais, e mexerem com problemas com os quais o usuário talvez não esteja em condições de lidar. O assistente social mencionou para nós uma pesquisa feita em hospitais públicos em Portugal, país no qual a maconha não é criminalizada. No estudo, foi verificado que as internações por surto psicótico ligado à Cannabis cresceu 30 vezes em 15 anos. Não há nada de inofensivo naquela plantinha simpática. O link para a pesquisa, publicada na Folha, é A Maconha em Portugal .
À tarde foi um pouco estranho... As TOs haviam programado uma atividade, "Qual é a Música", mas os pacientes não quiseram, pediram um filme. No entanto, a internet não funcionava e não conseguiam acessar a Netflix para buscar algum. Até o técnico chegar e corrigir o problema, faltava menos de uma hora para irmos embora, e então só assistimos a uma parte do primeiro episódio de uma série.
Como vou ter alta semana que vem e muitos colegas saem para o Natal e só voltam depois do Ano Novo, despedi-me de alguns. O mais difícil, para mim, foi dizer "até breve" para um de meus amigos, que é técnico em conserto de elevadores. Foi muito emocionante. Ele é uma pessoa maravilhosa, sensível, com um coração de ouro. Está internado há anos. Merece muito, muito mesmo, sair de lá e voltar à vida real. Torço muito por todas as pessoas, mas por ele em especial, pois eu percebo que ele ama a vida, tem planos e um potencial muito grande.
Conversamos um pouco sobre a maconha e a falsa impressão que os jovens têm de que essa droga é inofensiva. Eu não acho que seja, pois se ela faz você ter algum tipo de alucinação, não é algo natural. Além disso, para quem já tem doenças psicológicas, essas alucinações podem ser extremamente prejudiciais, e mexerem com problemas com os quais o usuário talvez não esteja em condições de lidar. O assistente social mencionou para nós uma pesquisa feita em hospitais públicos em Portugal, país no qual a maconha não é criminalizada. No estudo, foi verificado que as internações por surto psicótico ligado à Cannabis cresceu 30 vezes em 15 anos. Não há nada de inofensivo naquela plantinha simpática. O link para a pesquisa, publicada na Folha, é A Maconha em Portugal .
À tarde foi um pouco estranho... As TOs haviam programado uma atividade, "Qual é a Música", mas os pacientes não quiseram, pediram um filme. No entanto, a internet não funcionava e não conseguiam acessar a Netflix para buscar algum. Até o técnico chegar e corrigir o problema, faltava menos de uma hora para irmos embora, e então só assistimos a uma parte do primeiro episódio de uma série.
Como vou ter alta semana que vem e muitos colegas saem para o Natal e só voltam depois do Ano Novo, despedi-me de alguns. O mais difícil, para mim, foi dizer "até breve" para um de meus amigos, que é técnico em conserto de elevadores. Foi muito emocionante. Ele é uma pessoa maravilhosa, sensível, com um coração de ouro. Está internado há anos. Merece muito, muito mesmo, sair de lá e voltar à vida real. Torço muito por todas as pessoas, mas por ele em especial, pois eu percebo que ele ama a vida, tem planos e um potencial muito grande.
19/12/2019 - Dia 38
Tive terapia logo cedinho e encontrei uma amiga querida, que se trata com a mesma psicóloga. Ah, o que seria de mim se não fosse minha família, meus amigos e minhas psicólogas...
Não quis ir caminhar hoje, pois estava um pouco mais arrumada para o almoço de Natal. Fiquei para o filme, que foi "Minha Mãe É Uma Peça":
É sempre bom rever esse filme. Demos boas risadas (alguns choraram em certas partes).
O almoço não foi exatamente o que esperávamos. Estava melhor do que no dia a dia, sim, mas acho que todos tinham outras expectativas. Porém, o que vale é a companhia, estarmos lá juntos, comendo, conversando, comemorando.
À tarde, tivemos bingo com as sobras de lembrancinhas de Natal e da festa junina (não, o boneco de neve não deu certo. Mas tudo bem, não fiquei chateada não. Eu tentei!). Eu bati várias vezes, o que é bem incomum! Depois, fui inesperadamente convidada para um churrasco na casa de um dos colegas. Eu estava de carro e um pouco apreensiva; iria dar carona para alguns colegas, e fico muito insegura quando tenho que dirigir levando pessoas com as quais não tenho muita intimidade. Tenho medo de errar o caminho, fazer barbeiragens, bater o carro... Fico muito tensa mesmo. E, hoje, meus passageiros seriam dois homens... Ai... Porém, respirei fundo e fiquei calma. Pensei: preciso quebrar essa barreira, transpor esse obstáculo que me atrapalha há anos... E consegui. Dirigi por locais que não conheço, tive que estacionar duas vezes (um no mercado e outra ao chegar ao prédio do meu colega) e ao retornar já era tarde, bem escuro, e levei um dos amigos novamente. Acho que meu bloqueio em dar carona são águas passadas.
Não quis ir caminhar hoje, pois estava um pouco mais arrumada para o almoço de Natal. Fiquei para o filme, que foi "Minha Mãe É Uma Peça":
É sempre bom rever esse filme. Demos boas risadas (alguns choraram em certas partes).
O almoço não foi exatamente o que esperávamos. Estava melhor do que no dia a dia, sim, mas acho que todos tinham outras expectativas. Porém, o que vale é a companhia, estarmos lá juntos, comendo, conversando, comemorando.
À tarde, tivemos bingo com as sobras de lembrancinhas de Natal e da festa junina (não, o boneco de neve não deu certo. Mas tudo bem, não fiquei chateada não. Eu tentei!). Eu bati várias vezes, o que é bem incomum! Depois, fui inesperadamente convidada para um churrasco na casa de um dos colegas. Eu estava de carro e um pouco apreensiva; iria dar carona para alguns colegas, e fico muito insegura quando tenho que dirigir levando pessoas com as quais não tenho muita intimidade. Tenho medo de errar o caminho, fazer barbeiragens, bater o carro... Fico muito tensa mesmo. E, hoje, meus passageiros seriam dois homens... Ai... Porém, respirei fundo e fiquei calma. Pensei: preciso quebrar essa barreira, transpor esse obstáculo que me atrapalha há anos... E consegui. Dirigi por locais que não conheço, tive que estacionar duas vezes (um no mercado e outra ao chegar ao prédio do meu colega) e ao retornar já era tarde, bem escuro, e levei um dos amigos novamente. Acho que meu bloqueio em dar carona são águas passadas.
18/12/2019 - Dia 37
Hoje de manhã, me atrasei. O carro ficou sem gasolina, precisei desviar do caminho para passar no posto e depois peguei muito trânsito. Quando cheguei ao hospital, estava acontecendo um amigo secreto ladrão; os membros do grupo de teatro haviam combinado de trocar presentes (chocolates), mas aí o grupo da terapia se juntou a ele e as pessoas improvisaram presentes. Virou um amigo secreto de chocolates/amigo da onça/amigo ladrão. Como cheguei tarde, não participei. E a atividade foi acontecendo, até que alguém ganhou de presente um carregador portátil de celular; ele prontamente foi "roubado" por uma moça muito nova, que havia tentado o suicídio no dia anterior e passado a noite toda na UTI. Além disso, era aniversário dela. Entretanto, o professor de teatro, ao chegar sua vez, "roubou" o carregador dela. Eu achei muita falta de sensibilidade, mas não podia fazer nada, pois não estava participando. Porém, quando iam encerrar a brincadeira, vimos que havia sobrado um pacote na mesa; então, sugeriram que eu ficasse com ele, e entrasse no amigo ladrão. Quando abri o embrulho, era um botão; fui então até o professor e disse a ele que queria roubar-lhe o carregador portátil, mas ele disse "não, de jeito nenhum. Você tem chance zero de tirar isso de mim. Você não está participando, nem tem sequer um número." Insisti, mas não teve como. Foi um pouco humilhante, e foi a primeira vez nesses meses que passei por uma situação constrangedora no HD.
Um pouco depois, encontrei o professor no pátio, e ele me deu um sorrisinho. Fui falar com ele, e o diálogo foi assim:
- Olha só, você me fez passar a maior vergonha na frente de todo mundo.
- Mas por quê??
- Porque eu já tenho um carregador, melhor do que esse aí, mas queria roubá-lo para devolvê-lo à menina de que você o tirou. A moça está mal, toda cortada, e ainda por cima é aniversário dela hoje, e mesmo assim você teve coragem de roubar o presente dela??
- Mas você não estava participando! Não estava no jogo.
- Sim, eu estava. Eu fui colocada no jogo quando viram que havia sobrado um pacote. Por isso, eu passei a participar sim.
E, em seguida, saí. Achei a atitude desse profissional extremamente mesquinha e imatura, e eu não podia deixar de falar o que falei.
Durante a TO, tentei mais uma forma de fazer o boneco de barbante. Não deu certo. Tentei de papel machê, e só amanhã vou ver se vai dar certo.
Um pouco depois, encontrei o professor no pátio, e ele me deu um sorrisinho. Fui falar com ele, e o diálogo foi assim:
- Olha só, você me fez passar a maior vergonha na frente de todo mundo.
- Mas por quê??
- Porque eu já tenho um carregador, melhor do que esse aí, mas queria roubá-lo para devolvê-lo à menina de que você o tirou. A moça está mal, toda cortada, e ainda por cima é aniversário dela hoje, e mesmo assim você teve coragem de roubar o presente dela??
- Mas você não estava participando! Não estava no jogo.
- Sim, eu estava. Eu fui colocada no jogo quando viram que havia sobrado um pacote. Por isso, eu passei a participar sim.
E, em seguida, saí. Achei a atitude desse profissional extremamente mesquinha e imatura, e eu não podia deixar de falar o que falei.
Durante a TO, tentei mais uma forma de fazer o boneco de barbante. Não deu certo. Tentei de papel machê, e só amanhã vou ver se vai dar certo.
terça-feira, 17 de dezembro de 2019
17/12/2019 - Dia 36
De manhã, adiantamos a revista HD Mix; geralmente essa atividade é feita na última terça do mês, mas como o Natal e o Ano Novo cairão nesse dia da semana, a realizamos hoje. Escolhi o tema "Viagens", encontrei rapidamente algumas figuras e escrevi "Wanderlust" no rodapé de minha folha, abaixo das colagens. Essa é uma palavra alemã (que se escreve com a inicial maiúscula mesmo, como ocorre com todos os substantivos desse idioma) que não tem tradução direta para o português (como a nossa "saudade" também não tem. Ela tem que ser explicada em duas ou mais palavras.), e que significa "desejo de viajar".
Após o almoço, tive a consulta semanal com meu médico mesmo, que voltou de férias. Foi uma ótima consulta, pois ele me perguntou sobre tudo o que havia feito e sentido em sua ausência, e ficou feliz ao ver minha evolução. Por isso, combinamos minha alta; ele voltou a dizer que não é bom que eu continue por mais tempo no HD agora. Como eu volto a trabalhar na segunda metade de janeiro, precisaria ser liberada mesmo do hospital, e o doutor adiantou um pouco isso, para que eu possa tirar umas férias, ir para a praia, antes de retornar à rotina normal.
Na TO, achei que fosse finalizar o boneco de neve de barbante, mas... as bexigas onde colei os fios murcharam durante o fim de semana, e o barbante murchou também... Bom, comecei de novo. Vamos ver se vai dar tempo de ficar pronto até quinta-feira, dias do almoço de Natal. Aliás, estou pensando também em meu cachecol de tear... Não terminei ainda, porque interrompi o trabalho várias vezes. Vou pedir às terapeutas para tecê-lo em outros dias da semana, de forma que eu consiga concluí-lo!
Após o almoço, tive a consulta semanal com meu médico mesmo, que voltou de férias. Foi uma ótima consulta, pois ele me perguntou sobre tudo o que havia feito e sentido em sua ausência, e ficou feliz ao ver minha evolução. Por isso, combinamos minha alta; ele voltou a dizer que não é bom que eu continue por mais tempo no HD agora. Como eu volto a trabalhar na segunda metade de janeiro, precisaria ser liberada mesmo do hospital, e o doutor adiantou um pouco isso, para que eu possa tirar umas férias, ir para a praia, antes de retornar à rotina normal.
Na TO, achei que fosse finalizar o boneco de neve de barbante, mas... as bexigas onde colei os fios murcharam durante o fim de semana, e o barbante murchou também... Bom, comecei de novo. Vamos ver se vai dar tempo de ficar pronto até quinta-feira, dias do almoço de Natal. Aliás, estou pensando também em meu cachecol de tear... Não terminei ainda, porque interrompi o trabalho várias vezes. Vou pedir às terapeutas para tecê-lo em outros dias da semana, de forma que eu consiga concluí-lo!
sexta-feira, 13 de dezembro de 2019
13/12/2019 - Dia 35
O Fechamento trouxe momentos de emoção, como sempre; um das pacientes estava se sentindo rejeitada pela própria psicóloga, pois esta não soube lidar com uma determinada situação que minha colega havia lhe apresentado. A rejeição é algo muito forte entre nós, e é fundamental trabalharmos isso.
Outra colega está em um momento de desespero. Ela não é casada, tem três filhos e mora com a mãe, que sustenta a todos; quatorze anos atrás, ela resolveu pedir demissão de um emprego em que ganhava bem, era concursada e tinha estabilidade. Naquele tempo, ela tinha um projeto pessoal em mente, e também desejava ficar mais tempo com os filhos; entretanto, hoje ela lamenta profundamente sua decisão, pois adoeceu, ficou muito tempo sem trabalhar e por isso não se julga qualificada e não consegue arrumar empregos, mesmo os mais simples e com menor salário. Ela teme a morte da mãe e com isso a cessão de sua fonte de sustento, e acredita que destruiu a vida dos filhos. Tentamos ajudá-la, dizendo que os filhos vão ter sua vida e encontrar seu caminho, que a vida deles não está destruída, e que ela precisa se perdoar pela decisão que tomou no passado. Com base nos elementos, pensamentos e ferramentas que ela possuía na época, era aquilo que ela achava que deveria fazer. Talvez, na hora, não tenha adiantado termos falado isso; mas, quem sabe plantamos uma semente? Por isso eu gosto muito da terapia em grupo: os colegas sempre têm algo a nos ensinar, um colo e uma palavra amorosa a oferecer.
De mim, falei hoje que esta semana foi especial, pois voltei a dirigir (fui de carro até a clínica) e a cozinhar. Fazia meses que não assumia essas tarefas (porque não dava para assumir mesmo... A depressão é muitas vezes incapacitante.), fiquei um pouco apreensiva de sair com o carro (eu não sabia o caminho, o Waze enlouqueceu, estava quase sem combustível e temia não achar vaga na rua), mas deu tudo certo e hoje saí de novo, com muito mais segurança.
À tarde, fomos divididos em equipe e brincamos de "Jogo do Milhão". O grupo tinha que responder a perguntas cujo nível de dificuldade ia aumentando à medida que as rodadas iam progredindo. Bom, eu adoro jogar, foi super divertido (e polêmico, pois não concordamos com algumas respostas) e nossa equipe ainda foi a vencedora.
Outra colega está em um momento de desespero. Ela não é casada, tem três filhos e mora com a mãe, que sustenta a todos; quatorze anos atrás, ela resolveu pedir demissão de um emprego em que ganhava bem, era concursada e tinha estabilidade. Naquele tempo, ela tinha um projeto pessoal em mente, e também desejava ficar mais tempo com os filhos; entretanto, hoje ela lamenta profundamente sua decisão, pois adoeceu, ficou muito tempo sem trabalhar e por isso não se julga qualificada e não consegue arrumar empregos, mesmo os mais simples e com menor salário. Ela teme a morte da mãe e com isso a cessão de sua fonte de sustento, e acredita que destruiu a vida dos filhos. Tentamos ajudá-la, dizendo que os filhos vão ter sua vida e encontrar seu caminho, que a vida deles não está destruída, e que ela precisa se perdoar pela decisão que tomou no passado. Com base nos elementos, pensamentos e ferramentas que ela possuía na época, era aquilo que ela achava que deveria fazer. Talvez, na hora, não tenha adiantado termos falado isso; mas, quem sabe plantamos uma semente? Por isso eu gosto muito da terapia em grupo: os colegas sempre têm algo a nos ensinar, um colo e uma palavra amorosa a oferecer.
De mim, falei hoje que esta semana foi especial, pois voltei a dirigir (fui de carro até a clínica) e a cozinhar. Fazia meses que não assumia essas tarefas (porque não dava para assumir mesmo... A depressão é muitas vezes incapacitante.), fiquei um pouco apreensiva de sair com o carro (eu não sabia o caminho, o Waze enlouqueceu, estava quase sem combustível e temia não achar vaga na rua), mas deu tudo certo e hoje saí de novo, com muito mais segurança.
À tarde, fomos divididos em equipe e brincamos de "Jogo do Milhão". O grupo tinha que responder a perguntas cujo nível de dificuldade ia aumentando à medida que as rodadas iam progredindo. Bom, eu adoro jogar, foi super divertido (e polêmico, pois não concordamos com algumas respostas) e nossa equipe ainda foi a vencedora.
12/12/2019 - Dia 34
Hoje assistimos a um documentário muito diferente sobre autoestima. Tratava-se da visão de um filósofo do século XVI sobre o assunto:
É muito interessante o filme, porque mesmo para os tempos de hoje, o assunto é moderno e um pouco polêmico; imagine em 1550 e alguma coisa! Acho que ninguém pensava nisso naquela época.
À tarde, iniciamos os trabalhos para a decoração de Natal. Alguns começaram uma lareira e uma chaminé de caixas de papelão, em tamanho quase natural; a mim coube fazer um boneco de neve utilizando bexigas, cola com farinha e barbante:
A colega que sugeriu (e queria muito) que ele fosse feito foi uma pessoa que sofreu demais na vida. Perdeu um filho em um acidente de avião (ele era o copiloto) e ficou sabendo da notícia pela TV; o fato fez com que adoecesse de forma drástica. Ela também foi a pessoa que eu tirei de Amigo Secreto. Quando ela viu que eu havia me empenhado em fazer o boneco, ela me agradeceu muito! Confesso que prefiro fazer outros tipos de trabalhos manuais, como tear, bordado e costura, mas foi muito, muito gratificante ver a gratidão nos olhos dela.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
11/12/2019 - Dia 33
De manhã, lemos fragmentos de textos sobre liberdade e autoconhecimento, escrevemos nossas impressões aplicando-as à nossa própria história de vida e conversamos. Creio que o aspecto mais forte da discussão foi a opinião de várias pessoas sobre autoconhecimento: elas disseram que não se conhecem tão bem assim, pois adoeceram de uma forma que jamais imaginavam, têm crises que não conseguem controlar e não possuem autonomia para tomarem suas próprias decisões. Perderam sua liberdade, não se reconhecem mais.
Uma moça recém chegada participou do grupo. Ela nos contou um pouco de sua história: esteve de hospital em hospital este ano inteiro, e passou sete meses em regime fechado. Está desiludida, disse que perdeu a autonomia sobre sua vida, que a família toma todas as decisões por ela; também está revoltada, pois tomou eletrochoques nesse período. Não acredita em nada, "largou mão" de si mesma; o problema é que ela tem apenas 25 anos.
Quando a gente se depara com uma história assim, tem muita vontade de conversar com a pessoa, mostrar que ainda há esperança, há caminhos. Que a internação, principalmente em um hospital dia, não é um instrumento de punição, mas sim de auxílio, de cuidado. No entanto, às vezes, pessoas muito jovens não acreditam em nada disso... Têm muita firmeza em suas opiniões e são resistentes a pensar de outra forma; por isso, não adianta dizer muita coisa... O que podemos fazer é ser solidários, acolher à medida em que sentimos necessidade e abertura do colega; é o que há de melhor a ser feito.
À tarde, fizemos nosso Amigo Secreto. Sorteamos os nomes na hora, e cada um presentearia seu amigo com a lembrancinha feita nas sessões de TO. Nossa, foi muito legal. Eu sempre me preocupo com Amigos Secretos, porque a pessoa que nos tira precisa nos descrever para que os outros adivinhem quem é, e fico com medo de usarem meu pior atributo físico como descrição de mim. No entanto, isso não aconteceu em absoluto! Todos usaram palavras carinhosas e de estímulo para descreverem seus Amigos. Por exemplo, um paciente disse sobre uma colega: "Minha Amiga Secreta é uma pessoa muito expansiva, está sempre conversando e ajudando os outros. Ela tem uma preocupação muito específica que está lhe prejudicando no momento, mas eu tenho certeza de que logo vai sair dessa, porque a vida tem muito a oferecer a ela." Foi tão lindo, a gente chorou até. E a maioria das descrições foi por essa linha; o clima foi de muita paz, acho que foi o melhor Amigo Secreto do qual já participei. Isso nos faz constatar o quanto o que se vai ganhar não é importante; ouvir as palavras de carinho que foram usadas para nos descrever foi o melhor presente.
Uma moça recém chegada participou do grupo. Ela nos contou um pouco de sua história: esteve de hospital em hospital este ano inteiro, e passou sete meses em regime fechado. Está desiludida, disse que perdeu a autonomia sobre sua vida, que a família toma todas as decisões por ela; também está revoltada, pois tomou eletrochoques nesse período. Não acredita em nada, "largou mão" de si mesma; o problema é que ela tem apenas 25 anos.
Quando a gente se depara com uma história assim, tem muita vontade de conversar com a pessoa, mostrar que ainda há esperança, há caminhos. Que a internação, principalmente em um hospital dia, não é um instrumento de punição, mas sim de auxílio, de cuidado. No entanto, às vezes, pessoas muito jovens não acreditam em nada disso... Têm muita firmeza em suas opiniões e são resistentes a pensar de outra forma; por isso, não adianta dizer muita coisa... O que podemos fazer é ser solidários, acolher à medida em que sentimos necessidade e abertura do colega; é o que há de melhor a ser feito.
À tarde, fizemos nosso Amigo Secreto. Sorteamos os nomes na hora, e cada um presentearia seu amigo com a lembrancinha feita nas sessões de TO. Nossa, foi muito legal. Eu sempre me preocupo com Amigos Secretos, porque a pessoa que nos tira precisa nos descrever para que os outros adivinhem quem é, e fico com medo de usarem meu pior atributo físico como descrição de mim. No entanto, isso não aconteceu em absoluto! Todos usaram palavras carinhosas e de estímulo para descreverem seus Amigos. Por exemplo, um paciente disse sobre uma colega: "Minha Amiga Secreta é uma pessoa muito expansiva, está sempre conversando e ajudando os outros. Ela tem uma preocupação muito específica que está lhe prejudicando no momento, mas eu tenho certeza de que logo vai sair dessa, porque a vida tem muito a oferecer a ela." Foi tão lindo, a gente chorou até. E a maioria das descrições foi por essa linha; o clima foi de muita paz, acho que foi o melhor Amigo Secreto do qual já participei. Isso nos faz constatar o quanto o que se vai ganhar não é importante; ouvir as palavras de carinho que foram usadas para nos descrever foi o melhor presente.
10/12/2019 - Dia 32
Na Oficina de Comunicação de hoje fizemos uma atividade diferente. A psicóloga nos apresentou cinco desenhos com situações distintas envolvendo o Papai Noel; tínhamos que escolher uma das imagens e escrever uma história utilizando seus elementos e os aplicando à nossa vida, e à forma como vemos o Natal. Foi interessante ver como cada pessoa encara as festas: alguns gostariam de fechar os olhos e acordar só em 3 de janeiro. Uns estão pesarosos pois não poderão se reunir com a família toda por doença ou algum problema pessoal; outros estão felizes justamente porque não têm quase ninguém com quem se reunir e assim ficarão mais sossegados. Uns estão mais animados neste ano do que nos anteriores; outros não se animaram nem para enfeitar a casa. É... pessoas diferentes, visões diferentes.
A tarde transcorreu sem novidades. Continuei a fazer uma lembrancinha de amigo secreto que já havia começado semana passada; ficou bonitinha, era uma estrela azul. Logo terminei e dei continuidade ao cachecol no tear. Espero conseguir terminá-lo logo.
A tarde transcorreu sem novidades. Continuei a fazer uma lembrancinha de amigo secreto que já havia começado semana passada; ficou bonitinha, era uma estrela azul. Logo terminei e dei continuidade ao cachecol no tear. Espero conseguir terminá-lo logo.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
05/12/2019 - Dia 31
Hoje resolvi ir caminhar no parque em vez de ficar vendo o filme, que é a outra opção de atividade das quintas. Depois da caminhada, lá no parque mesmo, fizemos duas atividades de socialização. Na primeira, uma pessoa ia conduzindo uma bola com os pés até o cone de marcação, e depois voltava, dava a mão para o companheiro de equipe e os dois iam conduzindo a bola; e assim continuava até que todos os componentes do grupo estivessem de mãos dadas em uma grande corrente. Vencia quem chegasse primeiro à linha de largada.
A segunda atividade era em trios, em que os componentes tinham que ser dar as mãos e formar um círculo, se locomovendo e tocando a bola um para o outro. Estava indo tudo bem, até que precisamos renovar os trios e um dos membros precisava sair. O moço que estava em nosso grupo se ofereceu para sair, mas o professor não deixou, disse que ele precisava ficar, pois seria o homem daquela equipe, assim como ele, o professor, seria o homem da outra. Sendo assim, eu saí do grupo; entretanto, achei a atitude do profissional machista. A equipe poderia perfeitamente ter sido formada só com mulheres, pois a atividade não requeria força ou brutalidade, mas apenas noções de lateralidade e coordenação motora.
Ao final, enquanto descansávamos um pouco, a psicóloga pediu para que falássemos um pouco da atividade, e nós fomos sinceras e dissemos ao professor que havíamos entendido a atitude dele como machista. Ele disse que não havia sido sua intenção mas aceitou a crítica.
À tarde continuamos a fazer nossas lembrancinhas de Natal durante a TO. Eu terminei uma (a vela) e comecei a fazer outra (uma estrela). Mas as terapeutas nós dispensaram mais cedo, porque ameaçava chover forte ( e realmente choveu).
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