Hoje, no Fechamento, tive momentos de carinho. O assistente social disse aos participantes que era meu último dia lá. Senti que meus colegas ficaram genuinamente felizes com isso, e me desejaram muitas coisas boas, assim como eu também desejei a eles.
À tarde, fomos à padaria, como é de tradição na última sexta do mês. Antes, as TOs me deixaram continuar meu cachecol. Porém, quando viram que não haveria tempo hábil para que eu terminasse, decidiram deixar que eu levasse o tear para casa, para concluir o projeto; na próxima consulta que terei com o psiquiatra, no ambulatório agora, devolverei o tear.
Foi tudo bem na padaria, conversei bastante. Ao retornarmos ao HD, havia chegado o momento da despedida. É claro que chorei ao me despedir de meus amigos e das terapeutas, que tanto me ajudaram, e das copeiras, auxiliares de limpeza, técnicas de enfermagem e enfermeira que nos cuidam com tanto carinho e profissionalismo. Até meu médico estava por ali naquele momento, e ganhei um abraço dele também.
Esse tempo no hospital foi muito bom, muito intenso. Nunca imaginei que viveria tanta coisa em tão pouco tempo, e nem o quanto de transformações isso o que vivi me traria.
No HD, reaprendi, mais uma vez, e é sempre bom lembrar, que nunca se deve julgar ninguém, muito menos pela aparência. Lá, conheci pessoas respeitáveis e maduras que haviam tentado o suicídio diversas vezes; outras, inteligentes e aparentemente bem resolvidas, que se cortavam para ter a atenção dos amigos e família, e pelo prazer de ver o sangue escorrendo. Pessoas tranquilas, alegres e falantes, mas que entravam em uma crise de pânico extremo ao se depararem com a palavra ou alguma história alheia sobre a morte. Jovens que se vestiam com roupas alegres e descoladas, planejando a festa de aniversário em um dia e, no outro, aparecendo no hospital, pálidos, fracos após uma noite na UTI, e cheios de pontos e curativos para cobrir as curar e cobrir as marcas que eles próprios haviam se infligido em um momento de desespero. Conheci pessoas em idade um pouco avançada, outras de meia idade, jovens adultos e adultos muito jovens, recém saídos da adolescência, quase crianças. Conheci avós e avôs. Conheci pais de um filho, e um pai de onze filhos. Conheci muitas mulheres que lutam para continuar a criar seus filhos, e outras que sonham em se curar para poderem se tornar mães. Conheci uma mãe tão nova, que está crescendo junto com a filha, e outra que batalha diariamente para superar a perda de um filho crescido, adulto, piloto, de cuja morte ela soube pelo noticiário da TV. Conheci pessoas portadoras de demência, esquizofrenia, depressão, transtornos bipolar, borderline, obsessivo compulsivo, de dupla personalidade. Conheci ex-usuários de entorpecentes, mas eternamente dependentes químicos, cujos cérebros as drogas lesaram para sempre. Pessoas que sofreram acidentes gravíssimos e que nunca mais serão como eram, nunca mais andarão como andavam nem escreverão como escreviam. Conheci pessoas que tomaram tantos, tão fortes e tão diversos medicamentos por tantos anos, que já não conseguem falar com desenvoltura, e que, fora de contexto poderiam ser confundidos com ébrios; essas mesmas pessoas, mesmo as mais jovens, já perderam o brilho em seus olhares perdidos. Difícil vislumbrar alguma esperança neles, mas ainda deve existir alguma, bem lá no fundo, ou pelo menos é isso o que desejo de todo meu coração.
Convivi com pessoas que nunca tiveram ou terão condições de trabalhar na vida, e também com desempregados, autônomos, aposentados, estudantes, vestibulandos e interditados. Convivi com diversos bancários e também com vendedores e supervisores de vendas, auxiliares de limpeza, caixas de lanchonete, recepcionistas e secretárias de hospital, técnicas de enfermagem, programadores, estudantes, guardas de trânsito, escritores, auxiliares judiciários, esteticistas, maquiadores, desenvolvedores de videogames, professores, cabeleireiros, farmacêuticos, arquitetos, músicos, técnicos em conserto de elevadores. Mas, acima de tudo, pessoas, com quem, de outra forma, eu jamais teria tido a oportunidade de conviver de modo tão profundo. E quanta coisa eu teria deixado de aprender e sentir...
Quando, meses atrás, pedi a meu antigo psiquiatra que me encaminhasse para a semi-internação, pois essa era a saída mais imediata que eu via naquele momento, ele me disse: "Bem, posso até fazer a carta de encaminhamento, mas não vejo como o hospital dia poderá lhe ajudar. Lá as atividades são muito simples, trabalhos manuais... Não sei se isso irá contribuir muito para sua melhora, não." Pois é, doutor... O senhor só não contava com as pessoas... Com a solidariedade, rede de apoio, ouvidos atentos e interessados, palavras de carinho e incentivo. Com o abraço, com o olhar...
Com o amor. O amor que cura e dá esperança. O amor que resgata e salva. Que compreende mas cala quando não é para falar, e fala quando não é para calar. O amor, desinteressado, que quanto mais a gente dá, mais ainda recebe. O amor, abstrato só no conceito, pois nada pode ser tão forte e tão palpável. Agradeço pelo HD. Pelos amigos. Pela vida. Pelo AMOR.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
quinta-feira, 26 de dezembro de 2019
26/12/2019 - Dia 40
Hoje foi um dia estranho, hospital quase vazio... Peguei um filme começado, cujo nome nem fiquei sabendo. Depois cada um falou sobre como havia sido seu Natal. Vários tiveram um dia triste, com lágrimas e angústia; outros disseram que havia sido ok, ou melhor do que haviam esperado. Mesmo que achemos que estamos prontos para encarar a data, o Natal é um dia que traz muitas emoções e nos surpreendemos quando essas vem à tona, com força total.
Não tive apetite para almoçar muito bem. No intervalo fiquei conversando com um amigo, a maior parte do tempo sobre amenidades, e a hora passou bem rápido. As enfermeiras, após o intervalo, me entregaram a carta de alta.
As TOs se juntaram com o professor de música. A atividade era continuar cantando a letra após o volume da canção ser diminuído. Eu ia continuar meu cachecol, mas acabei ganhando uma sessão de terapia particular, ao ficar mais de uma hora na sala do atelier conversando com minha TO. Foi bom, desabafei muitas coisas, ela me ajudou bastante.
Não tive apetite para almoçar muito bem. No intervalo fiquei conversando com um amigo, a maior parte do tempo sobre amenidades, e a hora passou bem rápido. As enfermeiras, após o intervalo, me entregaram a carta de alta.
As TOs se juntaram com o professor de música. A atividade era continuar cantando a letra após o volume da canção ser diminuído. Eu ia continuar meu cachecol, mas acabei ganhando uma sessão de terapia particular, ao ficar mais de uma hora na sala do atelier conversando com minha TO. Foi bom, desabafei muitas coisas, ela me ajudou bastante.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2019
20/12/2019 - Dia 39
No Fechamento, aquela colega que abandonou um emprego estável e passa necessidade com três filhos nos contou que o mais velho, usuário de maconha, tivera um surto havia pouco menos de uma semana e havia sido internado. Na última visita, porém, ele pediu desculpas para a mãe, disse que seguiria o tratamento, que queria trabalhar... Fiquei muito feliz com isso, e achamos que a colega estava com um semblante mais aliviado.
Conversamos um pouco sobre a maconha e a falsa impressão que os jovens têm de que essa droga é inofensiva. Eu não acho que seja, pois se ela faz você ter algum tipo de alucinação, não é algo natural. Além disso, para quem já tem doenças psicológicas, essas alucinações podem ser extremamente prejudiciais, e mexerem com problemas com os quais o usuário talvez não esteja em condições de lidar. O assistente social mencionou para nós uma pesquisa feita em hospitais públicos em Portugal, país no qual a maconha não é criminalizada. No estudo, foi verificado que as internações por surto psicótico ligado à Cannabis cresceu 30 vezes em 15 anos. Não há nada de inofensivo naquela plantinha simpática. O link para a pesquisa, publicada na Folha, é A Maconha em Portugal .
À tarde foi um pouco estranho... As TOs haviam programado uma atividade, "Qual é a Música", mas os pacientes não quiseram, pediram um filme. No entanto, a internet não funcionava e não conseguiam acessar a Netflix para buscar algum. Até o técnico chegar e corrigir o problema, faltava menos de uma hora para irmos embora, e então só assistimos a uma parte do primeiro episódio de uma série.
Como vou ter alta semana que vem e muitos colegas saem para o Natal e só voltam depois do Ano Novo, despedi-me de alguns. O mais difícil, para mim, foi dizer "até breve" para um de meus amigos, que é técnico em conserto de elevadores. Foi muito emocionante. Ele é uma pessoa maravilhosa, sensível, com um coração de ouro. Está internado há anos. Merece muito, muito mesmo, sair de lá e voltar à vida real. Torço muito por todas as pessoas, mas por ele em especial, pois eu percebo que ele ama a vida, tem planos e um potencial muito grande.
Conversamos um pouco sobre a maconha e a falsa impressão que os jovens têm de que essa droga é inofensiva. Eu não acho que seja, pois se ela faz você ter algum tipo de alucinação, não é algo natural. Além disso, para quem já tem doenças psicológicas, essas alucinações podem ser extremamente prejudiciais, e mexerem com problemas com os quais o usuário talvez não esteja em condições de lidar. O assistente social mencionou para nós uma pesquisa feita em hospitais públicos em Portugal, país no qual a maconha não é criminalizada. No estudo, foi verificado que as internações por surto psicótico ligado à Cannabis cresceu 30 vezes em 15 anos. Não há nada de inofensivo naquela plantinha simpática. O link para a pesquisa, publicada na Folha, é A Maconha em Portugal .
À tarde foi um pouco estranho... As TOs haviam programado uma atividade, "Qual é a Música", mas os pacientes não quiseram, pediram um filme. No entanto, a internet não funcionava e não conseguiam acessar a Netflix para buscar algum. Até o técnico chegar e corrigir o problema, faltava menos de uma hora para irmos embora, e então só assistimos a uma parte do primeiro episódio de uma série.
Como vou ter alta semana que vem e muitos colegas saem para o Natal e só voltam depois do Ano Novo, despedi-me de alguns. O mais difícil, para mim, foi dizer "até breve" para um de meus amigos, que é técnico em conserto de elevadores. Foi muito emocionante. Ele é uma pessoa maravilhosa, sensível, com um coração de ouro. Está internado há anos. Merece muito, muito mesmo, sair de lá e voltar à vida real. Torço muito por todas as pessoas, mas por ele em especial, pois eu percebo que ele ama a vida, tem planos e um potencial muito grande.
19/12/2019 - Dia 38
Tive terapia logo cedinho e encontrei uma amiga querida, que se trata com a mesma psicóloga. Ah, o que seria de mim se não fosse minha família, meus amigos e minhas psicólogas...
Não quis ir caminhar hoje, pois estava um pouco mais arrumada para o almoço de Natal. Fiquei para o filme, que foi "Minha Mãe É Uma Peça":
É sempre bom rever esse filme. Demos boas risadas (alguns choraram em certas partes).
O almoço não foi exatamente o que esperávamos. Estava melhor do que no dia a dia, sim, mas acho que todos tinham outras expectativas. Porém, o que vale é a companhia, estarmos lá juntos, comendo, conversando, comemorando.
À tarde, tivemos bingo com as sobras de lembrancinhas de Natal e da festa junina (não, o boneco de neve não deu certo. Mas tudo bem, não fiquei chateada não. Eu tentei!). Eu bati várias vezes, o que é bem incomum! Depois, fui inesperadamente convidada para um churrasco na casa de um dos colegas. Eu estava de carro e um pouco apreensiva; iria dar carona para alguns colegas, e fico muito insegura quando tenho que dirigir levando pessoas com as quais não tenho muita intimidade. Tenho medo de errar o caminho, fazer barbeiragens, bater o carro... Fico muito tensa mesmo. E, hoje, meus passageiros seriam dois homens... Ai... Porém, respirei fundo e fiquei calma. Pensei: preciso quebrar essa barreira, transpor esse obstáculo que me atrapalha há anos... E consegui. Dirigi por locais que não conheço, tive que estacionar duas vezes (um no mercado e outra ao chegar ao prédio do meu colega) e ao retornar já era tarde, bem escuro, e levei um dos amigos novamente. Acho que meu bloqueio em dar carona são águas passadas.
Não quis ir caminhar hoje, pois estava um pouco mais arrumada para o almoço de Natal. Fiquei para o filme, que foi "Minha Mãe É Uma Peça":
É sempre bom rever esse filme. Demos boas risadas (alguns choraram em certas partes).
O almoço não foi exatamente o que esperávamos. Estava melhor do que no dia a dia, sim, mas acho que todos tinham outras expectativas. Porém, o que vale é a companhia, estarmos lá juntos, comendo, conversando, comemorando.
À tarde, tivemos bingo com as sobras de lembrancinhas de Natal e da festa junina (não, o boneco de neve não deu certo. Mas tudo bem, não fiquei chateada não. Eu tentei!). Eu bati várias vezes, o que é bem incomum! Depois, fui inesperadamente convidada para um churrasco na casa de um dos colegas. Eu estava de carro e um pouco apreensiva; iria dar carona para alguns colegas, e fico muito insegura quando tenho que dirigir levando pessoas com as quais não tenho muita intimidade. Tenho medo de errar o caminho, fazer barbeiragens, bater o carro... Fico muito tensa mesmo. E, hoje, meus passageiros seriam dois homens... Ai... Porém, respirei fundo e fiquei calma. Pensei: preciso quebrar essa barreira, transpor esse obstáculo que me atrapalha há anos... E consegui. Dirigi por locais que não conheço, tive que estacionar duas vezes (um no mercado e outra ao chegar ao prédio do meu colega) e ao retornar já era tarde, bem escuro, e levei um dos amigos novamente. Acho que meu bloqueio em dar carona são águas passadas.
18/12/2019 - Dia 37
Hoje de manhã, me atrasei. O carro ficou sem gasolina, precisei desviar do caminho para passar no posto e depois peguei muito trânsito. Quando cheguei ao hospital, estava acontecendo um amigo secreto ladrão; os membros do grupo de teatro haviam combinado de trocar presentes (chocolates), mas aí o grupo da terapia se juntou a ele e as pessoas improvisaram presentes. Virou um amigo secreto de chocolates/amigo da onça/amigo ladrão. Como cheguei tarde, não participei. E a atividade foi acontecendo, até que alguém ganhou de presente um carregador portátil de celular; ele prontamente foi "roubado" por uma moça muito nova, que havia tentado o suicídio no dia anterior e passado a noite toda na UTI. Além disso, era aniversário dela. Entretanto, o professor de teatro, ao chegar sua vez, "roubou" o carregador dela. Eu achei muita falta de sensibilidade, mas não podia fazer nada, pois não estava participando. Porém, quando iam encerrar a brincadeira, vimos que havia sobrado um pacote na mesa; então, sugeriram que eu ficasse com ele, e entrasse no amigo ladrão. Quando abri o embrulho, era um botão; fui então até o professor e disse a ele que queria roubar-lhe o carregador portátil, mas ele disse "não, de jeito nenhum. Você tem chance zero de tirar isso de mim. Você não está participando, nem tem sequer um número." Insisti, mas não teve como. Foi um pouco humilhante, e foi a primeira vez nesses meses que passei por uma situação constrangedora no HD.
Um pouco depois, encontrei o professor no pátio, e ele me deu um sorrisinho. Fui falar com ele, e o diálogo foi assim:
- Olha só, você me fez passar a maior vergonha na frente de todo mundo.
- Mas por quê??
- Porque eu já tenho um carregador, melhor do que esse aí, mas queria roubá-lo para devolvê-lo à menina de que você o tirou. A moça está mal, toda cortada, e ainda por cima é aniversário dela hoje, e mesmo assim você teve coragem de roubar o presente dela??
- Mas você não estava participando! Não estava no jogo.
- Sim, eu estava. Eu fui colocada no jogo quando viram que havia sobrado um pacote. Por isso, eu passei a participar sim.
E, em seguida, saí. Achei a atitude desse profissional extremamente mesquinha e imatura, e eu não podia deixar de falar o que falei.
Durante a TO, tentei mais uma forma de fazer o boneco de barbante. Não deu certo. Tentei de papel machê, e só amanhã vou ver se vai dar certo.
Um pouco depois, encontrei o professor no pátio, e ele me deu um sorrisinho. Fui falar com ele, e o diálogo foi assim:
- Olha só, você me fez passar a maior vergonha na frente de todo mundo.
- Mas por quê??
- Porque eu já tenho um carregador, melhor do que esse aí, mas queria roubá-lo para devolvê-lo à menina de que você o tirou. A moça está mal, toda cortada, e ainda por cima é aniversário dela hoje, e mesmo assim você teve coragem de roubar o presente dela??
- Mas você não estava participando! Não estava no jogo.
- Sim, eu estava. Eu fui colocada no jogo quando viram que havia sobrado um pacote. Por isso, eu passei a participar sim.
E, em seguida, saí. Achei a atitude desse profissional extremamente mesquinha e imatura, e eu não podia deixar de falar o que falei.
Durante a TO, tentei mais uma forma de fazer o boneco de barbante. Não deu certo. Tentei de papel machê, e só amanhã vou ver se vai dar certo.
terça-feira, 17 de dezembro de 2019
17/12/2019 - Dia 36
De manhã, adiantamos a revista HD Mix; geralmente essa atividade é feita na última terça do mês, mas como o Natal e o Ano Novo cairão nesse dia da semana, a realizamos hoje. Escolhi o tema "Viagens", encontrei rapidamente algumas figuras e escrevi "Wanderlust" no rodapé de minha folha, abaixo das colagens. Essa é uma palavra alemã (que se escreve com a inicial maiúscula mesmo, como ocorre com todos os substantivos desse idioma) que não tem tradução direta para o português (como a nossa "saudade" também não tem. Ela tem que ser explicada em duas ou mais palavras.), e que significa "desejo de viajar".
Após o almoço, tive a consulta semanal com meu médico mesmo, que voltou de férias. Foi uma ótima consulta, pois ele me perguntou sobre tudo o que havia feito e sentido em sua ausência, e ficou feliz ao ver minha evolução. Por isso, combinamos minha alta; ele voltou a dizer que não é bom que eu continue por mais tempo no HD agora. Como eu volto a trabalhar na segunda metade de janeiro, precisaria ser liberada mesmo do hospital, e o doutor adiantou um pouco isso, para que eu possa tirar umas férias, ir para a praia, antes de retornar à rotina normal.
Na TO, achei que fosse finalizar o boneco de neve de barbante, mas... as bexigas onde colei os fios murcharam durante o fim de semana, e o barbante murchou também... Bom, comecei de novo. Vamos ver se vai dar tempo de ficar pronto até quinta-feira, dias do almoço de Natal. Aliás, estou pensando também em meu cachecol de tear... Não terminei ainda, porque interrompi o trabalho várias vezes. Vou pedir às terapeutas para tecê-lo em outros dias da semana, de forma que eu consiga concluí-lo!
Após o almoço, tive a consulta semanal com meu médico mesmo, que voltou de férias. Foi uma ótima consulta, pois ele me perguntou sobre tudo o que havia feito e sentido em sua ausência, e ficou feliz ao ver minha evolução. Por isso, combinamos minha alta; ele voltou a dizer que não é bom que eu continue por mais tempo no HD agora. Como eu volto a trabalhar na segunda metade de janeiro, precisaria ser liberada mesmo do hospital, e o doutor adiantou um pouco isso, para que eu possa tirar umas férias, ir para a praia, antes de retornar à rotina normal.
Na TO, achei que fosse finalizar o boneco de neve de barbante, mas... as bexigas onde colei os fios murcharam durante o fim de semana, e o barbante murchou também... Bom, comecei de novo. Vamos ver se vai dar tempo de ficar pronto até quinta-feira, dias do almoço de Natal. Aliás, estou pensando também em meu cachecol de tear... Não terminei ainda, porque interrompi o trabalho várias vezes. Vou pedir às terapeutas para tecê-lo em outros dias da semana, de forma que eu consiga concluí-lo!
sexta-feira, 13 de dezembro de 2019
13/12/2019 - Dia 35
O Fechamento trouxe momentos de emoção, como sempre; um das pacientes estava se sentindo rejeitada pela própria psicóloga, pois esta não soube lidar com uma determinada situação que minha colega havia lhe apresentado. A rejeição é algo muito forte entre nós, e é fundamental trabalharmos isso.
Outra colega está em um momento de desespero. Ela não é casada, tem três filhos e mora com a mãe, que sustenta a todos; quatorze anos atrás, ela resolveu pedir demissão de um emprego em que ganhava bem, era concursada e tinha estabilidade. Naquele tempo, ela tinha um projeto pessoal em mente, e também desejava ficar mais tempo com os filhos; entretanto, hoje ela lamenta profundamente sua decisão, pois adoeceu, ficou muito tempo sem trabalhar e por isso não se julga qualificada e não consegue arrumar empregos, mesmo os mais simples e com menor salário. Ela teme a morte da mãe e com isso a cessão de sua fonte de sustento, e acredita que destruiu a vida dos filhos. Tentamos ajudá-la, dizendo que os filhos vão ter sua vida e encontrar seu caminho, que a vida deles não está destruída, e que ela precisa se perdoar pela decisão que tomou no passado. Com base nos elementos, pensamentos e ferramentas que ela possuía na época, era aquilo que ela achava que deveria fazer. Talvez, na hora, não tenha adiantado termos falado isso; mas, quem sabe plantamos uma semente? Por isso eu gosto muito da terapia em grupo: os colegas sempre têm algo a nos ensinar, um colo e uma palavra amorosa a oferecer.
De mim, falei hoje que esta semana foi especial, pois voltei a dirigir (fui de carro até a clínica) e a cozinhar. Fazia meses que não assumia essas tarefas (porque não dava para assumir mesmo... A depressão é muitas vezes incapacitante.), fiquei um pouco apreensiva de sair com o carro (eu não sabia o caminho, o Waze enlouqueceu, estava quase sem combustível e temia não achar vaga na rua), mas deu tudo certo e hoje saí de novo, com muito mais segurança.
À tarde, fomos divididos em equipe e brincamos de "Jogo do Milhão". O grupo tinha que responder a perguntas cujo nível de dificuldade ia aumentando à medida que as rodadas iam progredindo. Bom, eu adoro jogar, foi super divertido (e polêmico, pois não concordamos com algumas respostas) e nossa equipe ainda foi a vencedora.
Outra colega está em um momento de desespero. Ela não é casada, tem três filhos e mora com a mãe, que sustenta a todos; quatorze anos atrás, ela resolveu pedir demissão de um emprego em que ganhava bem, era concursada e tinha estabilidade. Naquele tempo, ela tinha um projeto pessoal em mente, e também desejava ficar mais tempo com os filhos; entretanto, hoje ela lamenta profundamente sua decisão, pois adoeceu, ficou muito tempo sem trabalhar e por isso não se julga qualificada e não consegue arrumar empregos, mesmo os mais simples e com menor salário. Ela teme a morte da mãe e com isso a cessão de sua fonte de sustento, e acredita que destruiu a vida dos filhos. Tentamos ajudá-la, dizendo que os filhos vão ter sua vida e encontrar seu caminho, que a vida deles não está destruída, e que ela precisa se perdoar pela decisão que tomou no passado. Com base nos elementos, pensamentos e ferramentas que ela possuía na época, era aquilo que ela achava que deveria fazer. Talvez, na hora, não tenha adiantado termos falado isso; mas, quem sabe plantamos uma semente? Por isso eu gosto muito da terapia em grupo: os colegas sempre têm algo a nos ensinar, um colo e uma palavra amorosa a oferecer.
De mim, falei hoje que esta semana foi especial, pois voltei a dirigir (fui de carro até a clínica) e a cozinhar. Fazia meses que não assumia essas tarefas (porque não dava para assumir mesmo... A depressão é muitas vezes incapacitante.), fiquei um pouco apreensiva de sair com o carro (eu não sabia o caminho, o Waze enlouqueceu, estava quase sem combustível e temia não achar vaga na rua), mas deu tudo certo e hoje saí de novo, com muito mais segurança.
À tarde, fomos divididos em equipe e brincamos de "Jogo do Milhão". O grupo tinha que responder a perguntas cujo nível de dificuldade ia aumentando à medida que as rodadas iam progredindo. Bom, eu adoro jogar, foi super divertido (e polêmico, pois não concordamos com algumas respostas) e nossa equipe ainda foi a vencedora.
12/12/2019 - Dia 34
Hoje assistimos a um documentário muito diferente sobre autoestima. Tratava-se da visão de um filósofo do século XVI sobre o assunto:
É muito interessante o filme, porque mesmo para os tempos de hoje, o assunto é moderno e um pouco polêmico; imagine em 1550 e alguma coisa! Acho que ninguém pensava nisso naquela época.
À tarde, iniciamos os trabalhos para a decoração de Natal. Alguns começaram uma lareira e uma chaminé de caixas de papelão, em tamanho quase natural; a mim coube fazer um boneco de neve utilizando bexigas, cola com farinha e barbante:
A colega que sugeriu (e queria muito) que ele fosse feito foi uma pessoa que sofreu demais na vida. Perdeu um filho em um acidente de avião (ele era o copiloto) e ficou sabendo da notícia pela TV; o fato fez com que adoecesse de forma drástica. Ela também foi a pessoa que eu tirei de Amigo Secreto. Quando ela viu que eu havia me empenhado em fazer o boneco, ela me agradeceu muito! Confesso que prefiro fazer outros tipos de trabalhos manuais, como tear, bordado e costura, mas foi muito, muito gratificante ver a gratidão nos olhos dela.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
11/12/2019 - Dia 33
De manhã, lemos fragmentos de textos sobre liberdade e autoconhecimento, escrevemos nossas impressões aplicando-as à nossa própria história de vida e conversamos. Creio que o aspecto mais forte da discussão foi a opinião de várias pessoas sobre autoconhecimento: elas disseram que não se conhecem tão bem assim, pois adoeceram de uma forma que jamais imaginavam, têm crises que não conseguem controlar e não possuem autonomia para tomarem suas próprias decisões. Perderam sua liberdade, não se reconhecem mais.
Uma moça recém chegada participou do grupo. Ela nos contou um pouco de sua história: esteve de hospital em hospital este ano inteiro, e passou sete meses em regime fechado. Está desiludida, disse que perdeu a autonomia sobre sua vida, que a família toma todas as decisões por ela; também está revoltada, pois tomou eletrochoques nesse período. Não acredita em nada, "largou mão" de si mesma; o problema é que ela tem apenas 25 anos.
Quando a gente se depara com uma história assim, tem muita vontade de conversar com a pessoa, mostrar que ainda há esperança, há caminhos. Que a internação, principalmente em um hospital dia, não é um instrumento de punição, mas sim de auxílio, de cuidado. No entanto, às vezes, pessoas muito jovens não acreditam em nada disso... Têm muita firmeza em suas opiniões e são resistentes a pensar de outra forma; por isso, não adianta dizer muita coisa... O que podemos fazer é ser solidários, acolher à medida em que sentimos necessidade e abertura do colega; é o que há de melhor a ser feito.
À tarde, fizemos nosso Amigo Secreto. Sorteamos os nomes na hora, e cada um presentearia seu amigo com a lembrancinha feita nas sessões de TO. Nossa, foi muito legal. Eu sempre me preocupo com Amigos Secretos, porque a pessoa que nos tira precisa nos descrever para que os outros adivinhem quem é, e fico com medo de usarem meu pior atributo físico como descrição de mim. No entanto, isso não aconteceu em absoluto! Todos usaram palavras carinhosas e de estímulo para descreverem seus Amigos. Por exemplo, um paciente disse sobre uma colega: "Minha Amiga Secreta é uma pessoa muito expansiva, está sempre conversando e ajudando os outros. Ela tem uma preocupação muito específica que está lhe prejudicando no momento, mas eu tenho certeza de que logo vai sair dessa, porque a vida tem muito a oferecer a ela." Foi tão lindo, a gente chorou até. E a maioria das descrições foi por essa linha; o clima foi de muita paz, acho que foi o melhor Amigo Secreto do qual já participei. Isso nos faz constatar o quanto o que se vai ganhar não é importante; ouvir as palavras de carinho que foram usadas para nos descrever foi o melhor presente.
Uma moça recém chegada participou do grupo. Ela nos contou um pouco de sua história: esteve de hospital em hospital este ano inteiro, e passou sete meses em regime fechado. Está desiludida, disse que perdeu a autonomia sobre sua vida, que a família toma todas as decisões por ela; também está revoltada, pois tomou eletrochoques nesse período. Não acredita em nada, "largou mão" de si mesma; o problema é que ela tem apenas 25 anos.
Quando a gente se depara com uma história assim, tem muita vontade de conversar com a pessoa, mostrar que ainda há esperança, há caminhos. Que a internação, principalmente em um hospital dia, não é um instrumento de punição, mas sim de auxílio, de cuidado. No entanto, às vezes, pessoas muito jovens não acreditam em nada disso... Têm muita firmeza em suas opiniões e são resistentes a pensar de outra forma; por isso, não adianta dizer muita coisa... O que podemos fazer é ser solidários, acolher à medida em que sentimos necessidade e abertura do colega; é o que há de melhor a ser feito.
À tarde, fizemos nosso Amigo Secreto. Sorteamos os nomes na hora, e cada um presentearia seu amigo com a lembrancinha feita nas sessões de TO. Nossa, foi muito legal. Eu sempre me preocupo com Amigos Secretos, porque a pessoa que nos tira precisa nos descrever para que os outros adivinhem quem é, e fico com medo de usarem meu pior atributo físico como descrição de mim. No entanto, isso não aconteceu em absoluto! Todos usaram palavras carinhosas e de estímulo para descreverem seus Amigos. Por exemplo, um paciente disse sobre uma colega: "Minha Amiga Secreta é uma pessoa muito expansiva, está sempre conversando e ajudando os outros. Ela tem uma preocupação muito específica que está lhe prejudicando no momento, mas eu tenho certeza de que logo vai sair dessa, porque a vida tem muito a oferecer a ela." Foi tão lindo, a gente chorou até. E a maioria das descrições foi por essa linha; o clima foi de muita paz, acho que foi o melhor Amigo Secreto do qual já participei. Isso nos faz constatar o quanto o que se vai ganhar não é importante; ouvir as palavras de carinho que foram usadas para nos descrever foi o melhor presente.
10/12/2019 - Dia 32
Na Oficina de Comunicação de hoje fizemos uma atividade diferente. A psicóloga nos apresentou cinco desenhos com situações distintas envolvendo o Papai Noel; tínhamos que escolher uma das imagens e escrever uma história utilizando seus elementos e os aplicando à nossa vida, e à forma como vemos o Natal. Foi interessante ver como cada pessoa encara as festas: alguns gostariam de fechar os olhos e acordar só em 3 de janeiro. Uns estão pesarosos pois não poderão se reunir com a família toda por doença ou algum problema pessoal; outros estão felizes justamente porque não têm quase ninguém com quem se reunir e assim ficarão mais sossegados. Uns estão mais animados neste ano do que nos anteriores; outros não se animaram nem para enfeitar a casa. É... pessoas diferentes, visões diferentes.
A tarde transcorreu sem novidades. Continuei a fazer uma lembrancinha de amigo secreto que já havia começado semana passada; ficou bonitinha, era uma estrela azul. Logo terminei e dei continuidade ao cachecol no tear. Espero conseguir terminá-lo logo.
A tarde transcorreu sem novidades. Continuei a fazer uma lembrancinha de amigo secreto que já havia começado semana passada; ficou bonitinha, era uma estrela azul. Logo terminei e dei continuidade ao cachecol no tear. Espero conseguir terminá-lo logo.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
05/12/2019 - Dia 31
Hoje resolvi ir caminhar no parque em vez de ficar vendo o filme, que é a outra opção de atividade das quintas. Depois da caminhada, lá no parque mesmo, fizemos duas atividades de socialização. Na primeira, uma pessoa ia conduzindo uma bola com os pés até o cone de marcação, e depois voltava, dava a mão para o companheiro de equipe e os dois iam conduzindo a bola; e assim continuava até que todos os componentes do grupo estivessem de mãos dadas em uma grande corrente. Vencia quem chegasse primeiro à linha de largada.
A segunda atividade era em trios, em que os componentes tinham que ser dar as mãos e formar um círculo, se locomovendo e tocando a bola um para o outro. Estava indo tudo bem, até que precisamos renovar os trios e um dos membros precisava sair. O moço que estava em nosso grupo se ofereceu para sair, mas o professor não deixou, disse que ele precisava ficar, pois seria o homem daquela equipe, assim como ele, o professor, seria o homem da outra. Sendo assim, eu saí do grupo; entretanto, achei a atitude do profissional machista. A equipe poderia perfeitamente ter sido formada só com mulheres, pois a atividade não requeria força ou brutalidade, mas apenas noções de lateralidade e coordenação motora.
Ao final, enquanto descansávamos um pouco, a psicóloga pediu para que falássemos um pouco da atividade, e nós fomos sinceras e dissemos ao professor que havíamos entendido a atitude dele como machista. Ele disse que não havia sido sua intenção mas aceitou a crítica.
À tarde continuamos a fazer nossas lembrancinhas de Natal durante a TO. Eu terminei uma (a vela) e comecei a fazer outra (uma estrela). Mas as terapeutas nós dispensaram mais cedo, porque ameaçava chover forte ( e realmente choveu).
quarta-feira, 4 de dezembro de 2019
04/12/2019 - Dia 30
Nossa primeira atividade foi assistir a uma animação que falava sobre a diferença entre empatia e simpatia:
Depois, discutimos sobre o tema, e como sempre houve opiniões e visões bem diferentes, mas que sempre enriquecem a conversa.
Após, uma colega nos chamou para falarmos sobre os desdobramentos dos fatos de ontem. Uma paciente acha que talvez a intenção da colega que teve a crise não havia sido ruim, pelo contrário. Talvez ela, a seu modo, quisesse ajudar pessoas que, na visão dela, estivessem muito doentes, a ponto de se matarem. Eu também tenho esse pensamento, pode ser que o propósito tenha sido bom, ela merece o benefício da dúvida. A questão é que tudo foi feito à revelia dos envolvidos; talvez ela devesse ter conversado com eles antes.
Após o intervalo, na TO, voltamos a fazer lembrancinhas de Natal. Enquanto isso, a psicóloga fez algumas atividades com outro grupo. Eu preferia estar na terapia hoje, mas precisava terminar minha lembrança. Consegui concluir a tarefa: uma pequena vela de feltro verde, fechada com manta acrílica e costurada com linha vermelha aparente.
03/12/2019 - Dia 29
Ontem foi meu primeiro dia de redução; foi bom também não precisar ir à clinica, ter o dia livre. O médico falou que eu preciso ir desmamando do HD, e a redução de um dia é o primeiro passo.
Tivemos uma atividade bem interessante na oficina de comunicação: escrever uma carta para nós mesmos daqui a um ano. Então, contamos a nós mesmos como estamos hoje e como esperamos estar na mesma data ano que vem. Lemos nossa carta um para os outros e depois a psicóloga sugeriu que a levássemos para casa e a guardássemos, para ser lida daqui a um ano. Eu quis levar e já marquei em minha agenda o dia em que tenho que ler.
Durante a atividade, aconteceu uma coisa muito chata. Estávamos concentrados quando de repente começou um barulho, de mesas e cadeiras sendo derrubadas; depois, começaram os gritos, que foram ficando cada vez mais altos e transtornados - "Ninguém vai falar mal de mim!! NINGUÉM VAI FALAR MAL DE MIM!!!!. Era uma colega em crise; foram necessárias três pessoas para segurá-la, tamanha sua força naquele momento, enquanto a enfermeira lhe aplicava um calmante. Depois, vim a saber o que havia acontecido.
Ontem, essa paciente, ao sair da consulta com o psiquiatra, foi falar com o pessoal e disse que havia tirado "prints" das telas de conversa de nosso grupo do WhatsApp e mostrado ao médico. Quem estava presente na segunda-feira contou que seu objetivo era mostrar a ele como determinadas pessoas estavam desequilibradas (de acordo com as coisas que postavam, as vezes falando em suicídio) e lhe sugerir que recomendasse a internação dessas no regime fechado (em outro hospital, pois o nosso só funciona durante o dia). Os colegas ficaram super abalados com isso, muitos precisaram de disse extra de medicamento, sentiram que havia sido uma traição da parte dela. Por isso criaram outro grupo no Whatsapp, sem incluí-la.
Porém, hoje, alguém contou a ela sobre o novo grupo e até lhe mostrou as conversas. Então, ela ficou imaginando que o grupo havia sido criado para que ali se falasse mal dela. Isso a fez ficar extremamente nervosa, de tal forma que entrou em crise. Não sabemos (ou pelo menos eu não sei), quem revelou a ela sobre o grupo novo.
Pois é. Hoje vi que o HD também é uma reprodução da sociedade lá fora; nem tudo é amizade e solidariedade, e precisamos ficar atentos, deixar a ingenuidade de lado.
domingo, 1 de dezembro de 2019
29/11/2019 - Dia 28
No "Fechamento" de hoje, tivemos, como sempre, momentos de emoção. Temos uma nova colega, que está bem mal; ela tem quatro filhos, entre ele um bebezinho, e não está conseguindo fazer as coisas em casa, assim como muitos outros pacientes. E as filhas mais velhas, já adolescentes, é quem estão fazendo as tarefas, cozinhando, arrumando, cuidando dos irmãos menores; nossa colega está se sentindo muito mal com isso, ela não quer essa vida para as filhas. Além de tudo, uma das meninas disse para ela algo como "Por quê você está aqui em casa, se não faz nada??" Nossa, eu imagino como isso deve ter doído... Ninguém fica doente porque quer... Tentamos consolar nossas colega, dizendo que os filhos são assim, não cuidam dos pais como os pais cuidam deles, e que adolescentes são cruéis no jeito de falar, mas que no fundo as filhas devem estar sofrendo muito com a doença dela. Mas é muito difícil... A doença não é só do paciente, atinge também sua família e isso deixa quem está doente pior ainda, por se ver um fardo para todos, se achar inútil.
O intervalo foi animado, colegas contando suas histórias de antes da internação, seus trabalhos, sua vida. E depois as internações em regime fechado e o progresso para o HD. Disseram que nossa clínica era diferente antes, ficava em outro local, mais espaçoso, onde era possível até jogar vôlei; havia também mais professores de educação física e psicólogos, e as pessoas que hoje ficam em um canto, sem tomar parte de nada, participavam de tudo naquela época. Era tudo mais bonito e organizado, e até a comida era melhor. É... Contenção de despesas, crise. Afetou a todos.
A atividade da tarde foi um jogo de adivinhar charadas, e depois brincamos de "Stop". Uma coisa legal foi ver as TOs ajudarem os que têm mais dificuldade a escrever durante o Stop; dessa forma, puderam realmente participar, não ficaram à margem. Muito bom.
O intervalo foi animado, colegas contando suas histórias de antes da internação, seus trabalhos, sua vida. E depois as internações em regime fechado e o progresso para o HD. Disseram que nossa clínica era diferente antes, ficava em outro local, mais espaçoso, onde era possível até jogar vôlei; havia também mais professores de educação física e psicólogos, e as pessoas que hoje ficam em um canto, sem tomar parte de nada, participavam de tudo naquela época. Era tudo mais bonito e organizado, e até a comida era melhor. É... Contenção de despesas, crise. Afetou a todos.
A atividade da tarde foi um jogo de adivinhar charadas, e depois brincamos de "Stop". Uma coisa legal foi ver as TOs ajudarem os que têm mais dificuldade a escrever durante o Stop; dessa forma, puderam realmente participar, não ficaram à margem. Muito bom.
quinta-feira, 28 de novembro de 2019
28/11/2019 - Dia 27
De manhã, assistimos ao documentário "Tarja Branca":
O filme fala sobre o brincar, sobre o quanto os adultos se esqueceram de sua criança interior e se levam a sério demais, sobre como é importante permanecer com o espírito da brincadeira até mesmo no trabalho. A tal "Tarja Branca" se refere ao brincar, e seria uma alusão à cor da faixa que define um medicamento e, sendo branca (não vermelha e muito menos preta), não apresenta contraindicações; pelo contrário, faz bem à saúde.
Percebi que muitas pessoas não gostaram do documentário. Creio que seja porque havia muitos depoimentos e reflexões entremeados por músicas regionais. Ao final, fizemos uma dinâmica em que tínhamos que definir, em uma palavra, nosso sentimento com relação ao filme e duas palavras que saíram foram "chato" e "incompreensível". Eu achei um pouco arrastado em algumas partes, mas me identifiquei demais em outras, principalmente quando disseram que você tem que fazer o que gosta em sua profissão; é necessário, pois assim você trabalha "brincando" e é mais feliz.
No intervalo, claro, conversamos sobre INSS, perícia e remédios. Aí fomos ler a bula de um medicamento que só um dos colegas usa, aparentemente, pois ninguém mais conhecia; um remédio contra a narcolepsia ou sonolência excessiva. Havia tantos, mas tantos possíveis efeitos colaterais que o pessoal começou a brincar dizendo que a medicação tirava o sono porque o paciente ficava com medo do que lia na bula e não conseguia dormir.
À tarde foi dia de celebração dos aniversariantes do mês, e teve videokê novamente. Aí, chamei meu colega escritor, que tem a voz grave, para cantar "Não Se Vá", da Jane e Herondy comigo, em um dueto. Ah, ele mergulhou fundo na música, foi muito divertido.
O filme fala sobre o brincar, sobre o quanto os adultos se esqueceram de sua criança interior e se levam a sério demais, sobre como é importante permanecer com o espírito da brincadeira até mesmo no trabalho. A tal "Tarja Branca" se refere ao brincar, e seria uma alusão à cor da faixa que define um medicamento e, sendo branca (não vermelha e muito menos preta), não apresenta contraindicações; pelo contrário, faz bem à saúde.
Percebi que muitas pessoas não gostaram do documentário. Creio que seja porque havia muitos depoimentos e reflexões entremeados por músicas regionais. Ao final, fizemos uma dinâmica em que tínhamos que definir, em uma palavra, nosso sentimento com relação ao filme e duas palavras que saíram foram "chato" e "incompreensível". Eu achei um pouco arrastado em algumas partes, mas me identifiquei demais em outras, principalmente quando disseram que você tem que fazer o que gosta em sua profissão; é necessário, pois assim você trabalha "brincando" e é mais feliz.
No intervalo, claro, conversamos sobre INSS, perícia e remédios. Aí fomos ler a bula de um medicamento que só um dos colegas usa, aparentemente, pois ninguém mais conhecia; um remédio contra a narcolepsia ou sonolência excessiva. Havia tantos, mas tantos possíveis efeitos colaterais que o pessoal começou a brincar dizendo que a medicação tirava o sono porque o paciente ficava com medo do que lia na bula e não conseguia dormir.
À tarde foi dia de celebração dos aniversariantes do mês, e teve videokê novamente. Aí, chamei meu colega escritor, que tem a voz grave, para cantar "Não Se Vá", da Jane e Herondy comigo, em um dueto. Ah, ele mergulhou fundo na música, foi muito divertido.
quarta-feira, 27 de novembro de 2019
27/11/2019 - Dia 26
De manhã, ouvimos a música "Paciência", de Lenine. Segue um vídeo legendado:
A letra fala sobre paciência, tempo, vida corrida. Engraçado como cada um interpretou de um jeito; uns dizendo que a idade e maturidade trazem mais paciência, outros que acreditam que ao envelhecer, perde-se completamente a paciência, pois se deixa de filtrar as palavras. Alguns falaram sobre paciência consigo próprios e seu longo processo de cura; outros sobre a paciência para ver o tempo passar tão lentamente.
Conversamos bastante no horário do almoço e no intervalo, sobre música, filmes, remédios e, é claro, perícias e INSS. Colegas assustados com a perícia que está por vir e medo de ter seu benefício negado; outros que já estão na justiça contra a instituição, tentando requerer seus direito por meio de ações judiciais. Alguns estão há anos sem receber nada.
À tarde, tivemos uma palestra da enfermeira sobre prevenção ao câncer de próstata, em consonância com a campanha "Novembro Azul". Foi boa, a profissional é muito consciente, assertiva e interessada pelos pacientes. Ela até pediu sugestões de temas para as próximas palestras e eu sugeri que falassem sobre transtornos mentais, para que pudéssemos entender melhor nossas doenças e a de nossos colegas, e assim podermos compreendê-los e ajudá-los dentro de nossas capacidades.
terça-feira, 26 de novembro de 2019
26/11/2019 - Dia 25
Hoje tivemos a "Oficina de Comunicação" e confeccionamos a nova edição da HD Mix. Porém, tive que sair no meio da atividade porque era dia de consulta com o psiquiatra.
Foi uma boa consulta. Falei do problema digestivo e do meu fim de semana, disse que havia participado de um evento de meditação no sábado que tinha sido ótimo (ele dá muito apoio a terapias alternativas, diz que cada coisa tem seu papel e que precisamos de tudo para sermos completos), mas que eu não havia aproveitado 100% porque estava um pouquinho triste. Mesmo assim, ele viu que estou tendo progressos e estou mais estável e então ele me concedeu... Redução!! Agora, não precisarei mais ir à clínica às segundas-feiras (eu escolhi o dia)! Fiquei feliz, não porque não preciso mais ir nesse dia, mas pelo reconhecimento da melhora.
No intervalo do almoço, nos reunimos no pátio para conversar, várias pessoas. Uma colega começou a nos contar sobre o estopim para sua doença: como muitos de nós, havia sido o trabalho. Ela trabalhava em uma empresa onde era obrigada a fazer diversas tarefas que não tinham na a ver com a função para a qual fora contratada, algumas até de certo risco, como levar ou trazer grandes quantias de dinheiro do banco pela rua. Um dia, seu chefe foi comer um pão francês, mas todos haviam se acabado, e por isso ele se levantou contra ela (obviamente a responsável por comprar o pão também) que sofreu uma grande humilhação e injustiça de uma pessoa autoritária, que se impunha de forma ostensiva e tirava proveito de sua condição de pobreza.
Infelizmente, relatos como esse não são incomuns. Não importa o tipo de trabalho, o salário ou o local, pessoas são humilhadas, maltratadas, agredidas verbalmente. E, muitas vezes, isso acarreta enfermidades físicas e, o que é pior em minha opinião, doenças emocionais/psicológicas/psiquiátricas. Digo "pior", porque esses problemas não são diagnosticáveis via exames de laboratórios, em geral são muito mais difíceis de serem tratados e curados do que os físicos e seu portador ainda carrega um estigma que provavelmente irá prejudicar sua carreira e vida profissional para sempre.
Foi uma boa consulta. Falei do problema digestivo e do meu fim de semana, disse que havia participado de um evento de meditação no sábado que tinha sido ótimo (ele dá muito apoio a terapias alternativas, diz que cada coisa tem seu papel e que precisamos de tudo para sermos completos), mas que eu não havia aproveitado 100% porque estava um pouquinho triste. Mesmo assim, ele viu que estou tendo progressos e estou mais estável e então ele me concedeu... Redução!! Agora, não precisarei mais ir à clínica às segundas-feiras (eu escolhi o dia)! Fiquei feliz, não porque não preciso mais ir nesse dia, mas pelo reconhecimento da melhora.
No intervalo do almoço, nos reunimos no pátio para conversar, várias pessoas. Uma colega começou a nos contar sobre o estopim para sua doença: como muitos de nós, havia sido o trabalho. Ela trabalhava em uma empresa onde era obrigada a fazer diversas tarefas que não tinham na a ver com a função para a qual fora contratada, algumas até de certo risco, como levar ou trazer grandes quantias de dinheiro do banco pela rua. Um dia, seu chefe foi comer um pão francês, mas todos haviam se acabado, e por isso ele se levantou contra ela (obviamente a responsável por comprar o pão também) que sofreu uma grande humilhação e injustiça de uma pessoa autoritária, que se impunha de forma ostensiva e tirava proveito de sua condição de pobreza.
Infelizmente, relatos como esse não são incomuns. Não importa o tipo de trabalho, o salário ou o local, pessoas são humilhadas, maltratadas, agredidas verbalmente. E, muitas vezes, isso acarreta enfermidades físicas e, o que é pior em minha opinião, doenças emocionais/psicológicas/psiquiátricas. Digo "pior", porque esses problemas não são diagnosticáveis via exames de laboratórios, em geral são muito mais difíceis de serem tratados e curados do que os físicos e seu portador ainda carrega um estigma que provavelmente irá prejudicar sua carreira e vida profissional para sempre.
25/11/2019 - Dia 24
Segunda-feira, dia de contar como foi o fim de semana. Cheguei atrasada, pois fui fazer alguns exames de sangue, e por isso não consegui falar; entretanto, ouvi muitas coisas, e muito tristes.
Uma nova colega, muito jovem, que engravidou cedo do namorado e apanhou a gravidez inteira; deixou o namorado após o nascimento da filha, mas as marcas do relacionamento nunca a deixaram. Ele telefona diariamente a ela, ameaçando tirar-lhe a menina - não por amor à filha, como ele mesmo deixa claro, mas apenas para atormentar a ex-namorada, que caiu em depressão e tem pânico. As doenças não são compreendidas pela mãe, que não foi quem criou nossa colega e por quem não desenvolveu o típico amor incondicional. O irmão também não entende seus problemas de saúde, os quais julga serem "frescura". Toda essa carga emocional fez nossa colega tentar o suicídio sete vezes.
O lado bom desse depoimento foi ela dizer, ao final, que estava se sentindo melhor e mais leve por ter compartilhado sua história conosco, e nós lhe dissemos que lá era um lugar em que todos se compreendiam e se ajudavam, todos estávamos no mesmo barco.
Uma outra colega, que semana passada havia ido a um retiro espiritual e estava super bem, voltou a ficar depressiva por conta de ter sido humilhada pela sogra. A falta de compreensão de doenças mentais pelos próprios familiares leva a situações como essa; no caso, a sogra a havia acusado de estar prejudicando o filho dela (marido de nossa colega) com a doença, que não era mulher de verdade, que não tinha nível. Nossa colega, que é uma baita mulher de fibra, ficou arrasada e, nós, muito chateados, pois todos nos envolvemos uns com os outros.
O intervalo do almoço foi muito divertido. Estávamos ao redor da mesa conversando, e alguém reclamou de nosso barulho; aí, fomos lá para cima, para a sala da terapia ocupacional. Uma das colegas subiu com duas grandes sacolas, com os produtos que vendia (ela não está recebendo o benefício do INSS e então se vira com as vendas): brinquedos eróticos, acessórios, cremes, lingeries, etc. Lá na clínica não é permitido o comércio, então pode-se imaginar como foi nossa tarde: além de estarmos apoiando o "comércio ilegal", os produtos eram de sex shop (rsrsrsrsrsrsrs) - imagine se entra uma enfermeira ou um médico na sala!! E nossa colega é uma ótima vendedora, conhece todos os artigos e fala deles com a maior segurança e desenvoltura. Na sala, havia umas oito mulheres e dois homens - que estavam se divertindo à beça e não queriam sair de lá por nada neste mundo, descobrindo os segredos do universo feminino. Depois de uma manhã de depoimentos tão sofridos, esse momento foi um oásis.
Uma nova colega, muito jovem, que engravidou cedo do namorado e apanhou a gravidez inteira; deixou o namorado após o nascimento da filha, mas as marcas do relacionamento nunca a deixaram. Ele telefona diariamente a ela, ameaçando tirar-lhe a menina - não por amor à filha, como ele mesmo deixa claro, mas apenas para atormentar a ex-namorada, que caiu em depressão e tem pânico. As doenças não são compreendidas pela mãe, que não foi quem criou nossa colega e por quem não desenvolveu o típico amor incondicional. O irmão também não entende seus problemas de saúde, os quais julga serem "frescura". Toda essa carga emocional fez nossa colega tentar o suicídio sete vezes.
O lado bom desse depoimento foi ela dizer, ao final, que estava se sentindo melhor e mais leve por ter compartilhado sua história conosco, e nós lhe dissemos que lá era um lugar em que todos se compreendiam e se ajudavam, todos estávamos no mesmo barco.
Uma outra colega, que semana passada havia ido a um retiro espiritual e estava super bem, voltou a ficar depressiva por conta de ter sido humilhada pela sogra. A falta de compreensão de doenças mentais pelos próprios familiares leva a situações como essa; no caso, a sogra a havia acusado de estar prejudicando o filho dela (marido de nossa colega) com a doença, que não era mulher de verdade, que não tinha nível. Nossa colega, que é uma baita mulher de fibra, ficou arrasada e, nós, muito chateados, pois todos nos envolvemos uns com os outros.
O intervalo do almoço foi muito divertido. Estávamos ao redor da mesa conversando, e alguém reclamou de nosso barulho; aí, fomos lá para cima, para a sala da terapia ocupacional. Uma das colegas subiu com duas grandes sacolas, com os produtos que vendia (ela não está recebendo o benefício do INSS e então se vira com as vendas): brinquedos eróticos, acessórios, cremes, lingeries, etc. Lá na clínica não é permitido o comércio, então pode-se imaginar como foi nossa tarde: além de estarmos apoiando o "comércio ilegal", os produtos eram de sex shop (rsrsrsrsrsrsrs) - imagine se entra uma enfermeira ou um médico na sala!! E nossa colega é uma ótima vendedora, conhece todos os artigos e fala deles com a maior segurança e desenvoltura. Na sala, havia umas oito mulheres e dois homens - que estavam se divertindo à beça e não queriam sair de lá por nada neste mundo, descobrindo os segredos do universo feminino. Depois de uma manhã de depoimentos tão sofridos, esse momento foi um oásis.
22/11/2019 - Dia 23
No "Fechamento da Semana" havia poucas pessoas hoje. Às sextas, em geral, o número de pacientes que vão à clínica diminui bastante, por causa da "Redução". Escrevo em letra maiúscula isso é objeto de desejo de vários colegas; funciona assim: se o psiquiatra percebe um progresso considerável, a ponto de acreditar que o paciente não precisa ir ao HD todos os dias, ele lhe concede a tal "Redução". O colega então escolhe o melhor dia para ficar em casa. Alguns tem duas reduções, e só vão à clínica três vezes por semana.
Já falei anteriormente que não tenho me sentido bem, e então hoje resolvi mencionar isso no "Fechamento", ao assistente social. Não sei se fiz o correto, mas como não sou só eu que tenho tido esses problemas digestivos, talvez o assistente possa ao menos verificar com a empresa de alimentação se está tudo de acordo.
À tarde, na TO, brincamos de "Piu-Piu". A proposta é bem divertida: uma pessoa sai da sala e os demais combinam qual objeto deverá ser adivinhado por quem saiu. Por exemplo: todos combinam que será "brinco"; então, a pessoa que saiu volta para a sala e deve fazer perguntas ao grupo, substituindo a palavra que definiria o objeto (que ela ainda não sabe qual é) por "Piu-Piu". Essa parte, a de perguntar, é engraçada, pois fica assim "Fulano tem Piu-Piu?" e o grupo responde sim ou não. Outra: "O Piu-Piu do Fulano é vermelho?", e assim por diante. Obviamente, o duplo sentido que pode haver nas perguntas devido à senha "Piu-Piu" muitas vezes nos fazia cair na risada. O único problema é que, como havia pouca gente por ser sexta, o objeto era logo adivinhado e a graça acabava logo. Mas, mesmo assim, foi muito bom - como em todas as sextas.
quinta-feira, 21 de novembro de 2019
21/11/2019 - Dia 22
De manhã assistimos ao filme "Miracle Run - Uma Viagem Inesperada":
É sobre uma mãe solteira de gêmeos fraternos autistas, e sua luta para que tivessem uma vida a mais normal possível. Ela tem muita paciência e sobretudo muito amor, e exerce papel fundamental na rotina dos filhos. Ao término, discutimos o assunto; a conversa foi boa, eu me identifiquei por ter autistas na família.
Senti-me mal hoje. Creio que a comida do hospital não está me fazendo bem, pois desde que entrei no HD tenho problemas de digestão semana sim, semana não. A comida é bem preparada, mas tenho a impressão de que os ingredientes não são de primeira. Não sou a única; uma colega que entrou junto comigo também já ficou doente várias vezes. Acho que vou falar com a equipe de enfermagem, para que investiguem junto à empresa terceirizada que fornece a alimentação.
À tarde, na TO, fizemos lembrancinhas de feltro com motivos natalinos, para serem distribuídas durante a festa de Natal, na brincadeira de Amigo Secreto. Dá um pouquinho de trabalho, mas é gostoso e fica bem bonitinho, especialmente se o feltro é costurado com um tipo de ponto que fica à mostra, que a terapeuta me ensinou a fazer.
Assinar:
Postagens (Atom)
